22 maio 2010

Derrotar o comunismo pelo trabalho

Uma coluna de betoneiras e gruas a perder de vista

Banguecoque está de novo em guerra; agora uma guerra de vassouras, pás e picaretas, mais os carros de combate ao lixo comunista que se amontoava e tudo conspurcava. O movimento no meu distrito é frenético, com milhares de bombeiros, operários e faxinas trabalhando 24 sobre 24 horas para reparar os estragos causados pela horda de incendiários e bombistas que quase destruíu o país no decurso da tentativa gorada de golpe de Estado contra a democracia e a monarquia.

Propaganda vermelha para as incineradoras

A cidade vence o comunismo e a demagogia da "luta de classes" pelo trabalho. Os operários, tal como os curiosos que às centenas se passeiam pelo devastado campo vermelho, mal tocam nos objectos, pois estão contaminados, trazem "mau karma" e infelicidade, como me disse uma simpática operária da municipalidade da capital. A massa de associados vermelhos deixou por todos os cantos os seus cartões de filiação, trouxas, malas carregadas de medicamentos roubados, milhares de garrafas de bebidas alcoólicas, facas e catanas, uniformes negros e camuflados, propaganda, autocolantes, bandeiras e tendas. Dir-se-ia os restos de um exército derrotado que ali está exposto e aguarda a lixeira e o fogo purificador que tudo tragará.

V de Vitória

A brigada feminina chegou às 8 da manhã. São mais de trezentas Almeidas, de uma força que faria inveja aos nossos operários da Margem Sul. Estão alegres, riem-se e cantam enquanto trabalham. Ali não vi olhos tristes e obrigação, nem tão pouco expressão de afinidade com os supostos "trabalhadores" que por ali fizeram enormidades ao serviço do plutocrata Thaksin e dos seus aliados comunistas. Os orientais possuem a singularidade de fazerem das tragédias motivo para união. O exército reencontrou o seu lugar na sociedade thai, os civis despertam do pesadelo e falam, os trabalhadores humildes - aqueles que mais prejudicados foram pelo desastre - demonstram uma fogosidade que contrasta com a proverbial kwam-ki-kiet (preguiça) dos siameses. A uma delas perguntei se levava para casa restos vermelhos. Riu-se e fez um grande V, como quem diz que "nós estamos a continuar a luta e não sou vermelha".

O exército, o povo fardado, na luta contra a sujeira vermelha

O exército abandonou as espingardas e faz-se representar por dois regimentos de engenharia. A praça grande do Central World mudou radicalmente desde ontem. Do pódio das discursatas incendiárias não há traço, como não há também das fétidas latrinas vermelhas, do estendal de tendas e barracas, das minas e armadilhas que se encontravam por todo o lado. Foi tudo varrido, amontoado em camiões das forças armadas e levado para bem longe de Banguecoque para posterior destruição.

O outrora Siam, com galerias de pequenas lojas

Os vândalos fizeram da área um verdadeiro cenário lunar. Foi tudo arrasado, pilhado, calcado e partido com requintes de impotência e mau perder, como o incendiário que, não podendo mudar o mundo, se compraz com a terra-queimada. Tudo isto me fez lembrar Estaline em 1941 e Hitler em 1945: fazer o maior mal possível aos próprios concidadãos, desempregar o maior número possível de pessoas, destruir propriedades, pequenas e grandes companhias, lançar no desespero e na fome aqueles que não integravam as fileiras do bando totalitário. É necessário dizê-lo e repeti-lo: se aquela gente tivesse atingido os seus propósitos, teriam feito o mesmo a meia Banguecoque, pois agora que se realizam investigações em profundidade sabe-se que o mesmo destino estava reservado ao Wat Phra Kéw (o Templo do Buda Esmeralda) e a palácio real.

Uma clínica esmagada sem piedade

Fui dar com uma clínica inteiramente depredada pelos díscolos. Material cirúrgico moderno partido a martelo, milhares de embalagens de medicamentos queimadas, ficheiros atirados para o chão e até uma imagem de Buda decapitada. Era esta a libertação que se cantava dia e noite nas lavagens de cérebro que tornaram a massa vermelha absolutamente incapaz de contrariar as ordens dos líderes que incitaram tais enormidades.

O ódio vermelho à felicidade dos simples

No interior dos cinemas EGV, disse-me um militar, tudo aquilo que o fogo não lambeu, as machetes e picaretas vermelhas fizeram em tiras: cadeiras, material de som, os bares e até as instalações sanitárias, tudo esmagado em meia hora por centenas de homens vestidos de negro. Quem ali foi sabia o que fazia. Lembrou-me Phnom Penh, que trinta e cinco anos depois da dita libertação - reconhecida com hossanas pela França e pela Suécia - ainda se debate com graves problemas no que respeita a locais de lazer e cultura. Há decididamente no comunismo um ódio profundo ao ócio, à alegria e às pequenas liberdades que fazem a felicidade dos simples.

Material pesado: quem pagou ?

Quem pagou tudo isto ? De onde veio tanto dinheiro para alimentar, vestir, arregimentar e pagar a milhares de mercenários e figurantes, quem comprou as centenas de armas de fogo, os milhares de granadas e munições que foram hoje finalmente apresentados aos adidos militares acreditados em Banguecoque ? Quem pagou os vinte geradores de electricidade, as sessenta carrinhas, as centenas de projectores, colunas de som, enfermarias, os milhares de toneladas de víveres e gasolina que ali se consumiram ao longo de dois meses ? Não acredito, como alguém sugeriu, que tal dinheiro viesse dos bolsos de "camponeses", pois que eses lá estavam eram pagos. Terá sido só o mecenático Thaksin, ou houve outros dinheiros, dinheiros de estados e governos, de fundações e ONG's ?

Avenida da Liberdade

3 comentários:

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

A questão levantada pelo senhor é a mais importante; quem pagou tudo isto? Por alguma razão ela é sempre esquecida pelos jornalistas dos grandes media, talvez por instigação dos seus patrões.
Revoluções, como o senhor comprovou nos seus artigos, são um artigo de luxo para umas poucas famílias. Não há uma revolução, entre as que estudei a fundo,(foram muitas), que não tenha sido financiada por magnatas. Só a dita revolução americana poderia ser encarada como uma excepção, mas aquilo não foi uma revolução, como bem notou a Hannah Arendt. Infelizmente, há famílias coroadas nesse meio de bilionários "meta-capitalistas", algo que os monárquicos lusófonos, ao invés de temerem e omitirem, deveriam ver como algo que só abona em favor dos nossos Braganças. Não é por acaso que perderam a coroa...
Entre os maus exemplos de famílias reais estão os Windsor(BP), os Orange(Shell), os Bernadotte(Wallenberg) e os Bourbon coroados(Cintra Concesiones).
Enfim, isso fica para outra altura. Agora é hora de comemorar esta vitória esmagadora da decente monarquia tailandesa contra a poderosa Máfia globalista.
Confesso que estava pessimista em relação ao que iria se passar e fico contente por ter errado. Parabéns pelos posts e por todos os acertos nas previsões. Foi um verdadeiro "capolavoro".

Cumprimentos luso-tropicais.

Nuno Castelo-Branco disse...

CLARO QUE VIERAM "DINHEIROS" do sítio do costume (não do Pingo Doce, claro...)

Os tailandeses são maravilhosos e farão exactamente o mesmo que tão bem executaram após o desastroso tsunami. Dentro de uma semana, Bangkok estará limpa e cheia de andaimes de obras! Neste aspecto, nada a apontar, são excelentes em tudo o que diga respeito ao trabalho: bons na roupa, bons na culinária, os MELHORES DO MUNDO na produção do meu arroz preferido, bons na decoração e artesanato, bons na joalharia, bons na indústria de precisão e sobretudo, excedem-se na limpeza e meticulosidade da higiene. Inacreditável.

Como diz o Carlos Velasco, que estrondosa vitória sobre a cleptocracia internacional! Ontem infantilmente fiz soar o Hino Real tailandês (youtube) no meu computador. Bem alto.

Esse país também "é" meu.

Imagino o que daqui sairá...

Nuno Castelo-Branco disse...

Mais uma nota: se conseguires encontrar uma bandeira mais elaborada com o símbolo do partido dos reds, já sabes: adorava ter um troféu pelo nosso trabalho.