12 abril 2010

A trama

As armas em boas mãos. As imagens transmitidas pelos canais de televisão não deixam margem para dúvidas. Só numa esquina havia seis atiradores com AK-47, dois dos quais despejaram carregadores sobre o exército [e outros manifestantes desarmados] voltando segundos depois com as armas recarregadas.


O que aqui é dito com lucidez e desassombro - dir-se-ia aqui estar - não me exige mais exercícios de esclarecimento. Os hospitais estão cheios de gente crivada com munições que o exército tailandês não usa. Disse-me alguém muito bem informado que as AK-47 vieram do Camboja e que os instrutores trabalharam durante semanas para ensinar os milicianos a usá-las. A um sargento hoje exibido nas câmaras foram retirados três projéteis de arma usada pelo exército de uma potência regional. Entretanto, estranha-se a saída precipitada de Banguecoque de muitos diplomatas. Porque será ?

7 comentários:

Nuno Caldeira da Silva disse...

Ontem, Segunda-feira, houve uma reunião dos Chefes de Missão da União Europeia e das 20 Missões representadas na Capital só uma não estvee presente. No Domingo na reunião com os porta-voz do Governo e do Exército estiveram cerca de 80 países representados. Não consigo conciliar isto com a afirmação de que houve uma saída de muitos diplomatas da capital.

Nuno Caldeira da Silva disse...

Ontem, Segunda-feira, houve uma reunião dos Chefes de Missão da União Europeia e das 20 Missões representadas na Capital só uma não estvee presente. No Domingo na reunião com os porta-voz do Governo e do Exército estiveram cerca de 80 países representados. Não consigo conciliar isto com a afirmação de que houve uma saída de muitos diplomatas da capital.

Nuno Castelo-Branco disse...

Miguel, estou absolutamente espantado com... o espanto! Como é possível ainda terem qualquer dúvida a respeito de interferência externa, quando já há semanas se falava abertamente disso mesmo? Até na Sociedade de Geografia de Lisboa ouvi dois senhores que falavam sobre o assunto. Com os regimes que têm à volta, nada é de espantar. Mas quem está a sair de Bangkok?

Combustões disse...

"Nunos":
Para além de um embaixador, que saiu sem dizer para onde ia, sairam 25 "conselheiros" de uma certa potência com colónias na Ásia.
Um professor de Burapha, nada afecto a partes, mas que é irmão de um direcor geral, disse-me, entretanto, que o tema de conversa nos corredores e messes dos centros de decisão militar é a tal lista de implicados estrangeiros (sobretudo asiáticos) que já nem escondiam opiniões insultuosas a respeito de SM.

Nuno Castelo-Branco disse...

Também é natural que aproveitem a época para irem a banhos. Estamos no Songkran e talvez os ânimos arrefeçam. Em Portugal, estamos tão habituados a ingerências externas que nem conseguimos dar conta do que isso significa para outros países. Há uns meses, jornais espanhóis procediam a sondagens junto dos seus leitores, questionando-os acerca da incorporação de Portugal no Estado espanhol! Lisboa ficou em silêncio, embora quem se interesse tivesse ficado indignado. Mau sinal.
Quem leia as publicações que têm as relações internacionais como tema, perceberá facilmente o que está em jogo nessa área. A seguir à Tailândia, outros países passarão pelo mesmo e nem será muito arriscado imaginar quais e aí bem perto.
Não tendo sido uma colónia de potência alguma, creio que a Tailândia vai conseguir resistir. Uns dias mais e alguém falará do bem do alto, disso tenho a certeza.

Nuno Caldeira da Silva disse...

25 Conselheiros de uma potência não existe. Bsta ler o guia das missões diplomáticas acreditadas em Bangkok para ver que não há nenhuma com 25 Conselheiros. Nem os Estados Unidos que ao todo entre pessoal americano e tailandês têm cerca de 2.000 pessoas em Bangkok. Pode ser pedido na Embaixada de Portugal o guia e porventura deixaram consultar."Conselheiros" não sei o que é mas sei que não serão diplomatas acreditados

Combustões disse...

Nuno:
Tens toda a razão. Também disse à pessoa que deu essa informação que 25 conselheiros é quase um governo e não acreditava. Talvez se trate de meros funcionários.