16 abril 2010

Refluxo: não haverá nem comunismo nem plutocracia


É nos momentos de aflição que se revelam as qualidades das pessoas. Ontem, a rainha Sirikit visitou demoradamente o hospital onde se encontram acamados os mais de duzentos militares que sofreram ferimentos durante os recontros do passado fim de semana e demonstrou, pela segunda vez em três dias, total solidariedade da Casa Real com as forças armadas. O trono não abandona, não foge às responsabilidades, não se atemoriza perante o poder da rua. Como aqui temos vindo a repetir à exaustão, o regime é sólido e funda-se num velho pacto que ninguém poderá destruir. A subversão terá de passar por cima de milhares de cadáveres para derrubar monarquia e a democracia.



Entretanto, hoje pela manhã, mais de vinte mil pessoas encheram por completo a avenida que conduz ao 11º Regimento de Infantaria, onde se encontra o primeiro-ministro desde o início da crise. Gritaram repetidas palavras de ordem contra o comunismo, o terrorismo e Thaksin e entregaram ao comandante da unidade um longo abaixo-assinado de apoio à democracia. Apressadamente, as agências de [des]informação estrangeiras avançaram com uma estimativa de umas "mil pessoas". Só os cegos e os facciosos ainda não se deram conta que está em curso a retomada da rua pelo povo que, finalmente, despertou e se prepara para defender a liberdade e o Rei contra o vasto complot urdido do estrangeiro. Talvez nem seja necessário o tão pedido golpe de Estado para defender o regime.

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