30 abril 2010

PCT: armados até aos dentes

A polícia e o exército reais lançaram ontem uma vasta operação auto-stop em Banguecoque que se saldou pela detenção de setenta e nove indivíduos por posse ilegal de armas de guerra. Todos os suspeitos possuiam nos respectivos automóveis documentos ou material de propaganda vermelha que os indicia como militantes do movimento subversivo. A tese governamental de um vasto complot contra o Estado e a monarquia vai ganhando consistência. Diz-se agora, aliás sem grande surpresa, tamanha a magnitude das provas recolhidas, que por detrás do movimento Camisas Vermelhas há um partido político há muito proscrito, que se supunha desactivado, mas que tem sido o eixo coordenador de toda a turbulência política e escalada da violência. Esse partido não é outro senão o Partido Comunista da Tailândia, derrotado militarmente nos anos 70 e agora actuando sob pseudónimo. Nada disto é novo. No Camboja, Pol Pot e o seu movimento fizeram a guerra contra Lon Nol em nome de uma "Frente Domocrática". Ao tomarem o poder, persitiram em manter secreta a identidade do movimento e só em 1977 foi revelada a existência do PCK (Partido Comunista do Kampuchea). A flagrante coincidência é atestada por pequenas mas indesmentíveis analogias: a opção pelos uniformes negros, a origem campesina do movimento, as ligações ao Camboja, a existência de uma ala militar cujo comando se encontra na penumbra, a procura de "guarda-chuvas" e figuras simbólicas que reforçam a invisibilidade da direcção do grupo (no Camboja era Sihanouk, na Tailândia são Thaksin e Chavalit) e, agora, o claro apelo ao derrube do "feudalismo" (i.e. da monarquia). Só quem desconhecer em absoluto as técnicas usadas repetidamente pelos comunistas se poderá espantar - ou simular espanto - perante tais coincidências.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

O espantoso é estarem espantados. É tudo tão clássico e previsível. Há semanas que andamos a chamar a atenção para isso e só não vê quem não quer, ou não pode.