28 abril 2010

Na aldeia dos escudos humanos

Passei há minutos pelo acampamento vermelho, cada vez menos concorrido. Subsistem cerca de 2000 ou 3000 mil pessoas: metade homens armados, lança de bambú com aplicação metálica perfurante no extremo, pistola enfiada no cós das calças; a outra metade mulheres, idosos e muitas crianças de tenra idade, sintomaticamente colocadas ao longo dos eixos de aproximação para uma operação militar de reposição da ordem e da lei. Na aldeia dos escudos humanos tudo evidencia sintomas de degradação, cansaço extremo, inevitabilidade de colapso. É gente boa, simpática e pacífica, usada numa aventura que se anunciou como uma "revolução" e acaba com promessas de resistência numantina contra o exército. O governo diz que não quer matar nem ferir inocentes, precisamente o que a liderança vermelha aguarda.

Reparei que a abundância de comida acabou, que o cheiro nauseabundo se tornou insidioso e as montanhas de lixo cresceram. Seria bom que tudo acabasse com a rendição voluntária dos cabecilhas e que lhes assomasse um pingo de consciência humanitária, pois o que mais indigna em tudo isto é a total ausência de escrúpulos em usar vidas alheias para jogos de propaganda. As fotos falam por si e ao vê-las aumenta o respeito que sinto por Abhisit.


2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Que canalhice! E até o uso de gás lacrimogéneo pode sufocar esses miúdos. É revoltante, o descaramento dos chefes extremistas.

M Isabel G disse...

http://jornal.publico.pt/noticia/29-04-2010/incerteza-e--a-unica-palavra-possivel-na-crise-da-tailandia-19293119.htm