02 abril 2010

A Maioria Silenciosa anti-vermelha

A paciência esgotou-se. Os thais começam a sair às ruas empunhando bandeiras reais, fotos do Rei e slogans anti-vermelhos. Pelo segundo dia consecutivo, manifestações de repúdio pela onda de instabilidade criada pelos estipendiados por Thaksin tomaram conta do centro de Banguecoque. Ontem passei por Lumpini, o grande parque no centro da capital e fiquei esclarecido dos motivos daquele ajuntamento. Repetiam-se palavras de ordem em defesa do Rei, do Primeiro-Ministro Abhisit e sucessivos Song Phra Charoen, Song Phra Charoen (Viva o Rei, Viva o Rei). Aqueles milhares de cidadãos não foram trazidos em autocarros, nem pagos, alimentados ou vestidos. Apareceram e deram espontânea manifestação de apoio à monarquia, à democracia e às leis.

Sobre tudo isto, claro, Rádio Moscovo nada diz. Não interessa, é irrelevante, não faz manchete dos pregoeiros das revoluções mitificadas, mesmo que essas revoluções sejam encomendadas pelas centrais da ingerência e que os revolucionários não passem de pobre gente arrebanhada e trazida sem conhecer o motivo da guerra em que a envolveram. Ontem, a caminho da Biblioteca Nacional, atravessei de táxi o que resta do acampamento vermelho. Aquilo é uma desgraça de sujidade, gente esfomeada e vivendo em condições que partiriam o coração a qualquer ONG. É assim que Thaksin trata a sua gente. A onda vermelha - que o não foi - está com os dias contados. Falharam clamorosamente em Banguecoque e não consguiram atingir um só dos objectivos propostos.

A placidez thai começa a abrir brechas. As pessoas já se referem directamente a Thaksin como "o ladrão" (Khun Jón), traidor e inimigo do Rei. Os seguidores do proscrito começam, por sua vez, a saborear o amargo cálice da ira popular. Os motociclistas vermelhos são atacados, tiram-lhes e rasgam-lhes as bandeiras, atiram-lhes baldes de água e acusam-nos de bandidos. Acabou a impunidade. Não foi necessária a intervenção das forças armadas, nem a intervenção das milícias da direita tradicionalista e Amarela. Bastou a população comum para refrear os ânimos vermelhos. A revolução que o não foi estilhaça-se dia a dia, hora a hora, na Cidade do Rei.

Abhisit, o líder monárquico e primeiro-ministro, não cabe em si de satisfação. Ontem aparceu no parlamento com um largo sorriso e pose descontraída, prova da evolução favorável da situação e muito animado pelo apoio que vai recebendo da Maioria Silenciosa que aguardou o momento exacto para passar à ofensiva. Disto, Rádio Moscovo não falará.



Hino Real

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Que regresse a ordem que permite à Tailândia crescer 5% ao ano.