25 abril 2010

M-79: falemos de armas

Tem sido rica em aspectos a discussão sobre o lança-granadas M-79 que esteve na origem dos disparos sobre a multidão fiel ao Rei, que há dias aqui relatei e de que fui testemunha presencial. Li hoje mais de dez artigos de jornalistas ocidentais sobre o incidente e fiquei com a clara impressão que os preclaros profissionais da informação nunca viram o artefacto bélico em questão. Li que era impossível bater alvos a tal distância, que a granada jamais poderia ter sido lançada do acampamento vermelho, que a trajectória da munição seria irregular. Ora, se de armas pouco sei, a verdade é que durante cinco anos consecutivos foi a minha arma no Regimento Operacional em que prestei serviço. Contas feitas, terei feito em carreira de tiro e dando instrução a nove sucessivas levas de recrutas umas centenas de tiros com a arma, pelo que de olhos fechados a posso montar e desmontar, carregar e visar alvos. É uma arma muito leve, pequena (70 cm), que cabe em qualquer saco de ginástica e de fácil manuseamento, pelo que qualquer pessoa com prática a pode usar com grande eficácia. Confesso, que tantos anos passados, se me colocassem nas mãos tal monstrozinho, ainda a poderia utilizar com a precisão que a minha inabilidade permite. A M-79 faz, geralmente, tiro curvo; isto é, não é uma arma de fogo directo horizontal sobre alvos e dispara-se, tal como a granada dilagrama ou o morteiro, fazendo o cálculo da distância do alvo a bater mediante um marcador que expressa o grau de inclinação pretendido. Contudo, pode ser usada na horizontal se carregada com uma granada especial, dotada de esferas e estilhaços, neste caso sobre concentrações de infantaria que não distem mais que 40 ou 50 m do local do disparo.

Descartada esta possibilidade, pois que as perfurações que vi parecem-me provocados por estilhaços da granada convencional de 40mm, que ao bater o alvo emite estilhaços de formato irregular, julgo (quem sou eu?) que o disparo foi indirecto (curvo), a longa distância e com granada normal. O que me chamou à atenção no dia do atentado foi a distância entre os locais visados, o que me leva a aceitar a ideia que a arma estava a ser usada no limite do seu raio de acção e, como tal, era difícil precisar com rigor alvos. Se os três primeiros disparos, seguido de um quarto, parece terem sido calculados com alguma precisão, o último foi, como se diz em gíria militar, uma "franganada". O atirador puxou o gatilho e ela saiu e caiu perto do hotel na esquina fronteira ao Parque Lumpini onde estaria o atirador. Esperemos, pois, pelas peritagens.

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Miguel, há questões que todos colocam e a primeira consiste em saber porque razão os pseudo-vermelhos jamais sofreram um ataque desses. É claro que os manuais dos soixante-huitards arranjam logo uma "provocação", uma "infiltração" ou pior ainda uma "divisão no campo inimigo". Não tem importância...

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Esta é para você:

http://www.youtube.com/watch?v=_LZn95QumW8

Cumprimentos anti-comunistas.