13 abril 2010

A guerra que junta e não mata

Na companhia de uma vizinha fui ao orfanato perto de casa para saber como vão as crianças e levar-lhes alguma coisa do pouco que lhes posso oferecer. Pelo caminho, verifico que a cidade renasceu do traumatismo dos últimos dias. As pessoas estão entretidas com batalhas de água e bolas de farinha. Banguecoque terá perdido dois terços da população. É todos os anos o mesmo. Durante uma semana, caravanas enchem as estradas em direcção às províncias e a capital hiberna. Só fica quem deve e em certas zonas há quase tantos turistas como tailandeses.
A crise política hibernou também. Até os vermelhos se dispersaram um pouco por todo a cidade para as inocentes brincadeiras do ano novo thai. A palavra de ordem é deitar baldes de água sobre o maior número de incautos e quebrar as inibições de um ano. Nestas batalhas de água ninguém é poupado. Nem polícias e soldados são poupados a valentes regas.
Ao regressar a casa, um grupo de vermelhos molhados até aos ossos dançam no meio do passeio e insistem que os molhe com a bisnaga que a minha amiga me ofereceu pela manhã. Parece que a febre política desapareceu e voltaram a portar-se como thais. Talvez a quadra possa arrefecer os ânimos e fazer sentar a uma mesa as pessoas sensatas que não querem ver o país cair no abismo.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Quando aí estive tantos meses (1996), participei com muito prazer nessas guerras de água. Fazia um calor terrível e comprei um super canhão-de-água. Vendiam-se aos montes pela rua e eram baratos. Foi engraçado, mas a farinha era dispensável.