15 abril 2010

Fartos do Prec no Monumento à Vitória

Dizia-me hoje um pobre homem que vive da venda ambulante de fruta - este não é vermelho, não fala da "aristocracia", do "feudalismo" e da clique palaciana - que as forças armadas têm de intervir e que prefere mil vezes um governo militar ao regresso de Thaksin ao poder. As palavras deste humilde trabalhador não me colheram de surpresa, pois, ao contrário do esquematismo de quantos pretendem forçar a ideia de uma Tailândia a braços com um prenúncio de "guerra de classes", o problema do país não é de natureza social, mas política. Há um grupo minoritário, violento e decidido, bem apetrechado e armado, dotado de grandes meios financeiros e solidariedade de países terceiros que quer tomar o poder e proceder a uma mudança drástica do regime e do sistema e quer levar até às últimas consequências um programa oculto de destruição do Estado e de todas as instituições que são arrimo do país. A democracia e a monarquia correm perigo de morte e são muitos os que exprimem sem rebuço a necessidade de fazer parar a espiral de violência antes que seja tarde de mais.

A Tailândia está há quase quatro anos em PREC e as forças políticas e a sociedade civil parece não possuirem meios para resolver o impasse, pelo que uma vez mais, como no passado (1973, 1976) as forças armadas - que tudo têm feito para evitar a intervenção - recebem crescentes sinais de apoio por parte da maioria silenciosa do povo que trabalha e reclama o direito a uma vida normal. Hoje, uma vez mais, uma manifestação do grupo Amar a Nação concentrou-se na Praça da Vitória e reclamou a paz e o fim do terrorismo psicológico vermelho que está a esgotar a paciência e a proverbial calma dos thais. Não, não eram "aristocratas" nem gente trazida em autocarros e camiões de recônditas aldeias do nordeste. Era gente normalíssima, jovens, colarinhos brancos, reformados, funcionários públicos, comerciantes e operários que gritavam pelo Rei e pediam o regresso da ordem à capital.




Maha Chulalongkorn (composta por SM o Rei)

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Já estou a imaginar o que será a manifestação da maioria até agora silenciosa. Vai ser um tsunami e dos grandes, a equiparar-se aos 5 de Dezembro de todos os anos!