21 abril 2010

Eleições, porque não ?


Os grupos subversivos e revolucionários têm por hábito invocar a legitimidade do apoio popular, falar em nome do povo e aspirar a um governo popular. Contudo, raramente aceitam o repto eleitoral, preferindo a retórica ao jogo democrático. No caso tailandês, as tão pedidas eleições antecipadas poderão, afinal, resolver as dúvidas sobre o real peso do movimento vermelho e demonstrar que tal frente plutocrática-comunista não constituiu a maioria do universo eleitoral. De facto, o partido de Thaksin só obteve 36% nas últimas eleições gerais de 2007 e o governo possui, na soma dos partidos do largo arco constitucional que o suporta, 64% do eleitorado. As dúvidas e objecções que o governo legítimo levanta prendem-se com a clara percepção da manipulação e condicionamento de parte importante do eleitorado vivendo no norte e nordeste, feudos de Thaksin. Só restauradas as condições para a afirmação livre e sem constrangimentos do exercício do voto se poderá aceitar um novo pleito eleitoral. Mutatis mutandis, é como se o PCP no Alentejo (o PSD na Guarda ou o PS no Algarve) possuíssem instrumentos de coação sobre a população residente nesses círculos eleitorais, obrigando-a votar por imposição na lista do partido dominante na região.

Estou certo que se eleições gerais se realizassem hoje, o partido de Abhisit aumentaria muito o seu score eleitoral (teve 30% em 2007), com o partido de Thaksin a descer e a entrada em cena da direita tradicionalista (amarelos do PAD, Novas Política) como terceira formação parlamentar; ou seja, ficaria tudo na mesma. Porém, o movimento vermelho mascara as suas intenções e qualquer que seja a via de apaziguamento que venha a surgir, inscreverá no seu programa de acção novas exigências por forma a manter-se na única atmosfera em que pode sobreviver: a violência, a desobediência civil e o confronto. Os revolucionários são uns bons safados !

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Deve ser por isso que estão tão desesperados e querem um governo do Pueh Thai para já. Assim organizam a fraude ao estilo "Afonso Costa". Há que resistir e encher a rua com a NOSSA gente!

Façam uma pausa no sanuk-sanuk e no sabai-sabai.

Nuno Castelo-Branco disse...

Deve ser por isso que estão tão desesperados e querem um governo do Pueh Thai para já. Assim organizam a fraude ao estilo "Afonso Costa". Há que resistir e encher a rua com a NOSSA gente!

Façam uma pausa no sanuk-sanuk e no sabai-sabai.