11 abril 2010

Defender a liberdade


Após a sangrenta jornada de ontem - cujo relatório e peritagem se aguardam - pressente-se que algo maior está por chegar. Se o sistema não conseguir encontrar agora o compromisso mínimo das partes com capacidade para dialogar, manter as diferenças e controlá-las no quadro da competição que a democracia estabelece como regra, corre-se o risco da exportação da crise, sendo que outras instâncias poderão chamar a si a legitimidade da ordem em crescendo reclamada por sectores importantes e influentes da sociedade. Há no movimento vermelho dois ou três líderes que possuem meios, autoridade, experiência e popularidade suficientes para deter a fase de espiral insurrecional em que se entrou. Há um governo dirigido por um homem de predicados superiores, probo, flexível, líder do mais antigo partido democrático do Sudeste-Asiático. Se nos próximos dias não se lograr a ponte do entendimento básico que a cultura democrática exige como condição para o jogo eleitoral - que não pode ser entendido como um contar de espingardas - a Tailândia reclamará, uma vez mais, uma solução autoritária que ninguém quer, mas que pode surgir como a única resposta ditada pelo instinto de sobrevivência do corpo social, do Estado e da unidade nacional. Nesta tensa trégua, só espero que triunfe a inteligência sobre os ardores e paixões cegas.

2 comentários:

Cinderela dos Pés Grandes disse...

Combustões, quero agradecer-lhe este importante pedaço de informação que nos vai facultando, ainda por cima acompanhado de reflexões serenas e análises sensatas.

Por cá, só se fala de coisinhas e só se olha para os dedos dos pés... como se o mundo não fosse mais vasto do que o nosso quintal e as nossas capelinhas!

António de Almeida disse...

Isto não é para publicar, nem sequer um comentário, apenas um link, que provavelmente até já leu, mas aqui fica:
http://www.publico.pt/Mundo/chefe-do-exercito-defende-dissolucao-do-parlamento-na-tailandia_1431833