17 abril 2010

A chuva que desarma


A estação quente prolonga-se até finais de Maio, mas as grandes bátegas anunciam-se. Pela segunda noite, a capital foi batida por forte, cerrada e prolongada chuva e a escuridão deu lugar a um espectáculo de fogo celestial e ribombar de trovões. O acampamento vermelho e quantos nele permanecem - serão 2000 ou 3000 - tem de se defrontar com este inimigo natural. Ao contrário dos líderes, que dormem em confortáveis camas de hotéis, podem tomar o banho quente e o pequeno-almoço na suite, os militantes trazidos dos confins do país estão expostos à chuva, ao frio e à exasperante mudança de esteiras e haveres para locais resguardados.

Os noticiários tornaram-se vazios. À profusão de boas e más-novas dos últimos dias e ao laconismo de tudo o que na noite de ontem foi anunciado, pesa incómodo silêncio sobre a capital e nem mesmo o anúncio da rendição dos líderes vermelhos às autoridades, anunciada para 15 de Maio, aliviou o desconforto e a clara sensação que algo está para acntecer. 15 de Maio ? Daqui a um mês ? Não, deve ser engano ou tentativa de ganhar tempo e prender gente num reduto de 500x500 metros que se transformou numa prisão para quantos dele pensaram fazer uma base para a conquista da capital.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Uma antiga música dos nossos queridos irmãos brasileiros (anos 60):

"Chove chuvaaaa,
Chove sem parar,
Chove-chove-chove chuvaaaaaa,
Chove sem parar..."

Lembras-te?

Costumávamos cantá-la na nossa varanda de Lourenço Marques, em dias de grande trovoada e temporal.