08 abril 2010

Breve

Nem tudo o que parece é. Nem tudo o que se vê reproduz a realidade das coisas. Duas informações merecedoras do maior crédito afiançam que a situação está sob absoluto controlo das autoridades e que a agitação permanente, mais que um sintoma de força daqueles que querem destruir o regime e o sistema, esconde inquietação, nervosismo e incapacidade em romper a unidade do Estado. Estão a ser gastos diariamente milhares de milhões pelos vermelhos, uma potência estrangeira está por detrás dos acontecimentos, o governo não vai cair e as forças armadas aguardam serenamente ordens de cima, sem questionar a manutenção da democracia. A isto voltaremos oportunamente.


ธงไชยเฉลิมพล (Marcha da Guarda Real)

2 comentários:

NanBanJin disse...

Meu Caro Miguel:

Apesar de acompanhar diariamente, sobretudo por via do COMBUSTÕES, e com muito interesse, os conturbados dias que a Tailândia vive hoje, tenho-me abstido de aqui deixar quaisquer comentários, pois que os relatos que nos chegam de outras fontes de informação (ou de desinformação) esboçam um cenário de tal modo confuso e distorcido, que creio que só no final deste braço de ferro-de-ferro entre as forças em confronto, será possível tirar conclusões e tecer comentários de alguma valia.
Em todo o caso, temo antes de mais pela sua segurança e integridade pessoais e mais pelo futuro e integridade do Povo Siamês ao qual desejo que possa tão breve quanto possível regressar a uma vida em Paz, em Ordem e em Liberdade.

Espero ansiosamente que a normalidade da vida quotidiana regresse tão depressa quanto possível às ruas de Bangkok e que a paz e o bom-senso triunfem e venham para ficar.

Um Sentido Abraço do Japão,

L.F. Afonso, NBJ, Fukuoka

Nuno Castelo-Branco disse...

O país já enfrentou situações bem piores. O fim da guerra do Vietname trouxe a aberta subversão do PC local, teleguiado de Pequim/Moscovo. Tiveram grandes problemas nos anos setenta e todos ainda recordam a agitação de 1992, quando os militares de Suchinda dispararam sobre os contestatários na rua. A situação era muitíssimo pior. O que se torna hoje mais patente, é o aproveitamento da questão da transição de reinado que ao contrário daquilo que os habituais "analistas do copo de whisky " poderão imaginar, na Tailândia é muito importante. Existem grandes interesses que se encontram em luta pela hegemonia na Ásia e este cenário já foi visto, noutros termos, é certo, há cerca de 70 anos. Não está em questão qualquer ideologia "libertadora dos pobres", mas sim, o controlo de um grande espaço geoestratégico de negócios. Thaksin não passa de um instrumento de ocasião que aproveita a óbvia necessidade de reformas e modernização nas províncias, para tentar o assalto ao poder total. Toda a fantochada dos Ches Guevaras - um assassino da pior espécie -, das estrelas maoístas - outro magnicida ainda secretamente apoiado pela abastada e parasitária gente do ar condicionado -, as estrelas vermelhas, etc, são lixo folclórico. Muito mais importantes são as manobras financeiras, os conglomerados empresariais, o imperialismo do Meio - que foi derrotado na Malásia, quando este país escorraçou Singapura da Federação - e na Indonésia. Tudo se resume à questão do dinheiro e hoje o ocidente fica perplexo - e não tem dado grande relevo à questão de Bangkok, há que dizê-lo - com a composição dos dois campos em liça. É nítido o apoio ao regime moderado e de progresso, por parte da gente mais qualificada. Os "revolucionários" são aquilo a que na triste e felizmente extirpada 1ª república portuguesa, se chamava aos partidários caceteiros do Afonso Costa: "facas de mato".
Esperemos para ver. Seria excelente se Rama IX pudesse falar ao país, mas se ainda não o fez - mesmo que por interposto membro da realeza -, isso pode querer dizer que a situação ainda não atingiu o ponto de ruptura. Ainda me recordo dos acontecimentos de 92, quando Chamlong e Suchinda surgiram no telejornal, rastejando aos pés do Rei. O sinal foi claro e de imediato terminou o problema.
Muita gritaria para "farang" ver (e encolher os ombros). Talvez não passe disso e esperemos que assim seja. Os "revolucionários de bar" que se dediquem à praia... Aqui, as televisões nem sequer passam imagens e limitam-se a uma nota que corre no rodapé no ecrã. Uma nota. E basta.