17 março 2010

Rádio Moscovo continua a delirar: um recado para o MNE


O movimento dos "camisas vermelhas" reflecte profundas divisões na sociedade tailandesa, entre a população rural e as elites urbanas, mostrando igualmente uma queda de popularidade da monarquia. A verdadeira crise poderá ocorrer na sucessão de Bhumibol, que tem 82 anos e ocupa o trono há 63 anos.

Assim caracteriza o preclaro o DN uma situação que, confesso, com dez anos de leituras sobre a Tailândia e trabalho diário de investigação conducente a tese de doutoramento sobre este país, ainda não consegui compreender em toda a sua complexidade e riqueza de aspectos. Confesso que esta ignorância - sempre arrogante - me infunde profundo pesar, mas não serei ingénuo ao extremo de registar o intuito da notícia: fazer crer que a relação de fidelidade e amor entre os tailandeses e a Monarquia se abeira do fim. Sei que por detrás desta campanha há o grande capital internacional, as promessas que Thaksin anda a fazer a futuros investidores europeus e, também, o papel da China na presente agitação. A UE, perdido o El Dorado indiano para os EUA, quer fazer concessões: entregar a Tailândia aos chineses, como o fez com o Nepal, para daí receber vantagens no Império do Meio. O DN está a transmitir recados e a espalhar inverdades, coisa surpreendente quando não tem jornalistas no terreno, não pede a colaboração de especialistas e se limita ao copy-page da mais desvairada boataria fabricada nas agências que realizam a campanha promocional de Thaksin.


Se me é permitida uma singela sugestão ao nosso MNE, aqui fica: não fazer tandem com a Europa, marcar a diferença, apoiar o governo legítimo da Tailândia, recusar qualquer intromissão nos assuntos internos tailandeses. Quando se abeiram os 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia, uma posição clara e forte de Portugal iria abrir portas para futuras parcerias. O governo está forte, as Forças Armadas vigilantes, a sociedade unida em torno da Monarquia e da Democracia que Thaksin quer destruir. Um vizinho meu, coronel e segundo-comandante de um dos regimentos de infantaria motorizada da capital, disse-me ontem que não vai haver golpe de Estado e que as Forças Armadas apoiam o governo de Abhisit, mas se os vermelhos desencadearem actos de guerra a repressão vai ser tremenda. Talvez seja esse o objectivo do plano vermelho e de alguma diplomacia sem escrúpulos sediada em Banguecoque.

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Não tenhas ilusões: a coisa é teleguiada de Bruxelas. Quando aí vivi, conheci pessoal diplomático da então CEE e isto que hoje sucede não é uma novidade. Bruxelas e Pequim, eis os responsáveis.
Uma limpeza no "corpo diplomático" intruso, com uma chuva de persona non grata, elucidaria acerca da firmeza tailandesa. Por mim, bateria palmas se visse um Airbus cheio de parasitas de regresso aos buracos de onde saíram.

Luis Naves disse...

Discordo inteiramente da sua análise, mas acima de tudo gostava de compreender que boataria é que o DN transmitiu, quais as inverdades. Gostava de lhe perguntar se a Tailândia será mais estável após a morte do monarca. E tenho um post em albergueespanhol.blogs.sapo.pt a comentar o seu post