01 março 2010

O racismo aplaudido


Quem me conhece sabe que não sou racista, que alguns dos meus amigos mais seguros e leais - aqueles a quem recorro em momentos de necessidade - são asiáticos, luso-africanos e luso-indianos, que nunca uma palavra ofensiva por mim proferida ou escrita jamais conspurcou aquilo que orgulhosamente inscrevo como das poucas coisas boas que realizei na vida. Sempre convivi com gente de outras raças, recebi-os em casa, com eles trabalhei, para eles trabalhei, para mim trabalharam. Isto permite-me, ao contrário de muitos falsos anti-racistas, que carregam o fardo de culpas que não sinto, de justificações que nunca procurei, de paternalismo que nunca exercitei, fazer um comentário a esse outro racismo tolerado, exaltado, aplaudido e até fomentado que trata de diabolizar, culpabilizar e imputar ao homem branco todas as arbitrariedades, injustiças e violências do mundo; esse racismo que não tem coragem de se fazer chamar pelo nome que fecha os olhos, vira as costas, desvia o olhar às mais sórdidas perseguições. Que eu saiba, nunca a ONU, o Conselho da Europa, o Parlamento Europeu, os tribunais dos Direitos do Homem, os observatórios contra o racismo, as ligas, movimentos e associações existentes um pouco por todo o mundo civilizado, jamais pediram intervenção da comunidade internacional ou jamais puniram estados e governos que fizeram sua a bandeira do ódio anti-branco. O Zimbabwe, o único país do mundo que inscreve na lei o apartheid e o racismo como doutrina de Estado, comemorou hoje dez anos de destruição da minoria branca com novas leis que só me fazem lembrar as funestas Leis de Nuremberga de 1935. Os brancos do Zimbabwe foram hoje informados que deixarão de ser cidadãos, que perderão o direito à propriedade de empresas, que serão afastados dos poucos cargos administrativos que ainda ocupam. É o nazismo negro, o mais puro, o mais depurado. Para quando a intervenção internacional antes da aplicação da "solução final" ?


Beethoven: Sonata para piano nº 12

2 comentários:

NanBanJin disse...

Um país tão bonito...
O Zimbabwee e a África do Sul foram os únicos países de África que cheguei a visitar, na minha já remota infância, por volta de 1982-83 — pouco depois da tomada do poder pelo ZANU-PF e Mugabe e da adopção do novo nome do país.

Do Zimbabwee guardo as melhores memórias desse tempo, sobretudo de Victoria Falls, onde passei dias maravilhosos com os meus Pais. Um tempo de inefável felicidade.
É com profunda mágoa que vejo este país entregue à mais criminosa e abjecta das tiranias.

Mas há que confiar numa certeza: tudo o que apodrece, cedo acaba por perecer.


Abraço amigo do Japão,
NBJ

João José Horta Nobre disse...

Publiquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/12/o-racismo-aplaudido.html

Contacto: historiamaximus@hotmail.com

Cumpts,
JJHN