11 março 2010

O desmoronar

1+1 = 2
Ao longo de décadas o desmoronamento foi quase imperceptível. As paredes abriram fendas, rolaram umas pedritas, a pedra rija de outrora foi-se transformando em salitre, o estuque esfarelou-se e caiu, a antiga cor foi esmaecendo. Nódoas, aqui e ali, indiciavam infiltrações internas. Alguns diziam ouvir ruídos, ranger de traves e sons abafados. Tudo não passava de alarme vão, pois os homens dos conceitos e das teorias - os tais das chamadas Ciências da Educação - a todos aquietavam afirmando que o edifício estava a mudar de pele e que toda a regeneração envolve dores necessárias. De súbito, para agrado dos alarmistas e dos desmancha-prazeres, a escola caiu por atacado. A metáfora é sempre o melhor antídoto contra os jogos de linguagem.

2 comentários:

Manuel Brás disse...

Bate leve, levemente,...

A escola desmoronada
por teorias tolerantes
fica assaz arruinada
e com mofinas imperantes.

Desta cultura edificada
entre paredes magnificentes
brota gentalha deseducada
fruto de conceitos complacentes.

Dá vontade de gritar
de forma bem audível,
vincando o protestar
de asserção credível.

Levy disse...

Mas olhe que eles ainda não se deram conta que a escola caiu. Todos os dias os oiço a debitar as mesmas alarvidades sobre a "escola moderna"