26 março 2010

A nossa esperança ao vento

Não é contra nada nem contra ninguém, não é nem bandeira de um partido nem de uma ideologia: é um símbolo nacional e nela se revêem todos os Portugueses. Hoje, após 100 anos de ausência, voltou triunfante e abraçou Lisboa. Não houve vandalização ou ultraje à bandeira do regime em vigor, não houve provocação nem se violou lei alguma. Subiu e parou a meia haste, como se pedisse aos Portugueses um momento de recolhimento e meditação e lhes lembrasse o difícil transe de luta pela sobrevivência em que esta comunidade se debate. Foi um apelo à unidade e à reconciliação nacional.





Honor Him

9 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

A impotência do outro lado manifesta-se através da troça. É a velha fábula da raposa e das uvas

NanBanJin disse...

I.

Ora aí está um tema que, pessoalmente, considero ser digno de um debate sério com vista ao futuro: os Símbolos Nacionais.

Confesso que, partilhando de uma certa formação republicana, nunca me identifiquei plenamente com a bandeira adoptada com o 5 de Outubro de 1910, vejo-o como algo excessivamente multicolor e confusa, conferindo demasiado destaque às côres "verde e rubra" adoptadas pelos arautos da 1ª República, em detrimento dos símbolos nacionais historicamente mais relevantes e dotados de maior e mais solene valor — em particular as cinco quinas —, e creio que o mesmo sentimento será certamente partilhado por muitos Portugueses que ainda se revejam, minimamente que seja, numa certa ideia de "República".
O mesmo já não direi do hino — admito que gosto muito d'"A Portuguesa" como Hino Nacional, independentemente de quaisquer "polémicas" sobre as suas origens, significado histórico, e/ou eventual "apropriação indevida" por parte do movimento republicano pré-1010, como alguns sugerem —, mas a essa questão mais adiante iremos.

Creio que a operar-se uma restauração monárquica em Portugal, em princípio por efeito de sufrágio, plebiscito ou referendo, que legitimásse tal mudança de regime — algo que admito como perfeitamente plausível e meritório do empenho da causa monárquica e seus seguidores —, uma "nova" bandeira nacional deveria ser adoptada em lugar da actual preferência pela bandeira de 1830, intimamente ligada à Dinastia de Bragança, bandeira "nova" essa que, no meu modesto entender, deveria primar por uma maior simplicidade visual e simbólica, tomando como padrão — sugestão minha, e admitindo outros como possíveis —, a bandeira alegadamente adoptada ao tempo do Reinado de D. Sancho I, em 1185 — cinco quinas azuis sobre simples fundo branco.

E tanto, porque, por um lado, creio que estaremos todos de acordo na consideração de que as cinco quinas constituem, historicamente, o Símbolo Nacional mais perene e de maior valor "atávico" — à falta de um termo que melhor o descreva — na representação simbólica de uma certa identidade histórica, revelante e celebrada ao longo dos tempos pela comunidade política feita Nação. (continua)

NanBanJin disse...

II.

Sem pretender encetar qualquer polémica a este respeito, quer-me parecer que, se a Monarquia fôsse amanhã restaurada, estaríamos perante a fundação de um novo ciclo dinástico — o que, de per si, não obriga à adopção de um conjunto de símbolos inteiramente "novos", mas a tanto também não repudia — e, a efectuar-se por via de sufrágio popular, tal legitimação da mudança de regime, teria todo o cabimento em ser constitucionalmente reconhecida como tal, consagrando-se, na Lei fundamental, o facto de, a atribuição da Corôa ao Rei, emanar, nessa eventualidade, da vontade popular — algo como o que sucede, por exemplo, na actual Constituição do Japão (1947), e não me ocorre aora melhor exemplo —, devendo, essa peremptória manifestação da soberania popular, exprimir-se na fórmula da nova bandeira, que muito naturalmente dispensaria a aposição de uma corôa como símbolo representativo da ideia da Monarquia como instituição que se sobepõe à própria Nação.

E se por outro lado a actual Casa de Bragança celebra, com toda a legitimidade que lhe reconhecemos, o seu vínculo de consaguinidade com a Dinastia deposta pelo golpe de 1910, em todo o caso, torno a dizê-lo: ao subir ao trôno amanhã El-Rei inauguraria uma nova dinastia, pelo que, o País, deveria adoptar novo estandarte, em conformidade com essa nova realidade.

Acresce, ainda, que, num plano mais "pragmático" se assim se pode dizer, uma bandeira despojada de simbólica elaborada, primando por uma certa austeridade visual e privilegiando o seu símbolo histórico maior, na correcta proporção, constituiria, a meu ver, um símbolo imageticamente mais forte e apreciado, e graficamente melhor reprodutível e memorizável, e isto tendo em conta as mais variadas situações que justifiquem a sua figuração, desde o cerimonial à sua expressão graficamente mais reduzida — como num simples "link" de uma página web para a respectiva versão em Língua Portuguesa.

O que aqui acabo de exprimir, não é mais do que uma simples ideia, e não tem, nem pouco mais ou menos, quaisquer outras pretensões que essa de ser uma fugaz visão.

Com imensa simpatia e amizade,
do Japão,

NBJ

Diogo disse...

Bela bandeira. Mas a corrupção política é transversal a todos os tipos de regime. Por outro lado:


Jon Stewart, do Daily Show, explica-nos, com humor, a nova moda da Internet chamada Chat Roulette:

Jon Stewart: Há um novo site na Internet, chamado Chat Roulette e basicamente permite conversar, com vídeo, com pessoas ao calhas, e depois clicar num botão e passar à pessoa seguinte quando estamos fartos dessa pessoa.

É uma diversão inofensiva. É o género de coisa que toda a gente vai fazer uma vez. É como ter sexo na casa de banho do café de uma estação de serviço. Não é o género de coisa que preocupe muito as pessoas, excepto pelo facto de ser na Internet...

Vídeo legendado em português
.

Nuno Castelo-Branco disse...

Ontem à tarde, no café aqui perto de casa, estava a tv ligada. Quando o noticiário da tvi passou a notícia, uma mulher desatou a cantar- e que bem cantou - a Cantiga da Rua, contentíssima! Quase um hino de revolução. Fiquei emocionado.

Carlos disse...

Obrigado, meu Caro, pelas belíssimas imagens. A verdadeira Bandeira de Portugal ao vento, sobre a Lisboa que foi dela, a recordar tempos de Honra e Rectidão, enche-me de emoção. Nada tem a ver com a actual bandeira do regime, cópia quase fiel do trapo vermelho e verde da Carbonária. Na nossa Bandeira, temos o branco a simbolizar a Luz, e o azul a cor do manto de Nossa Senhora, Rainha de Portugal. Entre as duas cores, as Armas de Portugal, devidamente coroadas, sem a esfera armilar mundialista (mais outra importação carbonária, com a desculpa de querer simbolizar os Descobrimentos).

Já foi considerada a mais bela Bandeira do Mundo e, para nós, portugueses monárquicos, é, e ainda será, a Bandeira de Portugal.

Meu Deus, mas «quando é o Rei, quando é a Hora»? Porque tarda, e a noite é vil...

Saudações.

Carlos Portugal

floribundus disse...

antes a bandeira que aquela coisa murcha que se parece com artesanato das caldas ou com um digitus impudicus

vvv disse...

Era bom, era... Mas há muita ignorância sobre o tema. É impressionante como oito séculos de monarquia saltaram da memória para o imaginário preconceituoso.

Pedro Leite Ribeiro disse...

Cores que, orgulhosamente, a minha cidade preservou.
Pela Santa Liberdade, triunfar ou perecer!
Viva Portugal! Viva o Rei!