25 março 2010

Nos buracos da plutocracia


Histórias envolvendo dinheiros e negociatas, usura e doentes do business são, quase sempre, coisa sórdida. Parece estar a causar escândalo o Devil's Casino, reveladora crónica da Lehman Brothers, agora lançada para gáudio de quantos, "reaccionários passadistas", "involucionistas" e "nostálgicos" de uma economia baseada na propriedade, no trabalho, na produção e na honestidade, recusam aceitar o casamento entre a plutocracia especulativa e o capitalismo. Li ontem curtas passagens do livrinho e fiquei elucidado.
Os últimos vinte anos assistiram ao triunfo dessa barbárie de selvagens práticos, de cerrado linguajar tecnocratês, gentuça ordinaríssima, semi-letrada e exibicionista que calcou os mais elementares princípios e trouxe o Ocidente para a situação em que se encontra. Isto não se passou apenas na Wall Street. A Grécia - e agora Portugal - parentes pobres e caudatários menores do véu de superstição plutocrática do novo bezerro de ouro, consagraram-se a essa religião do dinheiro e todos somos testemunhas dos desmandos e obra de demolição empresarial a que se dedicaram desde os tempos do Professor Cavaco. Portugal paga hoje a prestações a adesão a esse sectarismo do lucro sem trabalho e da terciarização desmiolada. Queriam ser ricos ? Pois, empobreceram países por atacado e acabaram falidos.

Socialmente, essa praga assumiu-se na figura do bancário - um banco em cada esquina - do "gestor", do broker e demais parasitas do trabalho e poupanças alheias. Politicamente, evidenciou-se nesse dito liberalismo liberto de fiscalização, mais o seu cortejo de sub-crenças na liberdade individual, na iniciativa sem freio e sem controlo. Afinal, os mais avisados e "reaccionários" - aqueles que vêm na liberdade sem vigilância a oportunidade para os vigaristas e crapulosos - tinham razão: as pessoas não são merecedoras de confiança e aproveitam a mais pequena quebra de vigilância para lesarem, enganarem ou usarem os dinheiros alheios.
A cultura da plutocracia é essa: já não há mecenas, banqueiros com preocupações filantrópicas, gente que cresceu em contacto com os raros bens que outros não podem fruir. Antes, um banqueiro transformava-se num benemérito, possuia a sua colecção de arte, ia ou mandava comprar em leilões e exposições, tinha cadeira cativa na ópera. O plutocrata vai aos futebóis, compra Ferrari e até vai ao golfe, a nova coqueluche do despenteamento mental e do alpinismo social. O capitalista era politicamente conservador. O plutocrata é dessa "esquerda" difusa, admira o Che e reivindica curriculo nas barricadas, no liambismo, na objecção de consciência e até se dá ao luxo de perorar sobre as misérias do mundo a partir de uma penthouse. Nunca, como hoje, o dinheiro esteve em tão más mãos.

2 comentários:

floribundus disse...

num filmezeco de mafiosos alguém pergunta o que faz um deles.
resposta:-trabalha no "biziniss"

no filme Ladrões de Bicicletas o operário que procura o veículo roubado pergunta à criança que quer ser em adulto. resposta:-delinquente

gestores e politicos desta terra sem lei

Nuno Castelo-Branco disse...

É só premir o comando da tv para os vermos por todo o lado.