12 fevereiro 2010

Pornokratiā e crimes políticos

As mais nobres ideias políticas, as mais avisadas e experimentadas instituições e os mais sólidos regimes políticos raramente estão ao abrigo da venalidade e da corrupção, do abuso e da manipulação, da mentira e da má-fé perpetrados por psicopatas isolados ou criminosos organizados agindo em nome de estimáveis bandeiras, crenças e valores. Os crimes políticos aparentam benignidade, pois raramente permitem identificar as suas vítimas, pelo que a lei criminal sobre eles parece não poder exercer qualquer jurisdição. É coisa tão impalpável que dir-se-ia ser cometida com pleno conhecimento e assentimento do corpo social.

No fundo, os crimes políticos mais praticados decorrem não só do desinteresse e da apatia dos cidadãos que entregaram o poder legitimimado pela eleição a pessoas que de imediato violaram o múnus das funções para as quais foram eleitas, mas sobretudo, da instalação de uma cultura política que entende que a eleição pelo voto desculpa os criminosos e compromete a maioria com actos que são estranhos às razões da eleição.

Os crimes políticos, até se transformam em crimes de Estado, convidam mais e mais psicopatas e criminosos organizados a participar num festim que parece aberto a todos. No fundo, o crime político é uma via informal para a ascensão, a acumulação de riqueza e o sucesso. Porém, quando os criminosos políticos esgotam o manancial de possibilidades de acção insusceptíveis de sanção, tendem a transformar o Estado em patrocinador das suas malfeitorias: prostituem as leis, transformando-as em protectoras do crime, confundem o interesse dos criminosos com o bem-comum e chegam ao extremo de lançar como mastins as polícias e os tribunais sobre os cidadãos que invocam o espírito das leis para exercer a crítica. O mais benigno regime pode transformar-se, assim, na mais safada, inimputável e tirânica forma de exercício do poder.
Refiro-me, evidentemente, à Venezuela, ao Zimbabwe ou ao Camboja !


Jaws

4 comentários:

Manuel Brás disse...

Para já...

A informação envenenada
pela ética mercantilista
torna a planura inclinada
num devaneio imoralista.

É tal a moderna rectidão
de valores democráticos
reflectindo a escravidão
ante chefes plutocráticos.

Babados pela gratidão
de tal generosidade
empolga-se a multidão
com ficcional vaidade.

(espero/desejo regressar mais tarde, com outra "filtragem")

Manuel Brás disse...

Adenda:

A impunidade visível
crava-se de benignidade
num desassombro tão risível
perante a comunidade.

Com o múnus violado
num festim prostituído
o móbil é revelado
como um bem corroído.

Gi disse...

Evidentemente, Miguel :-P

Marcia Faria disse...

Pensei que você estivesse se referindo à minha pátria(Brasil).

Um abraço...