10 fevereiro 2010

Não me obriguem a falar de política


Um leitor deste blogue afirma que o Combustões, com os suas "míseras 300 visitas diárias"(sic), "poderia ter 1000 ou mais leitores se fosse um blogue mais interventivo nas questões do quotidiano da vida política portuguesa". Ora, caro leitor, podem-me fazer todas as sugestões, conquanto me poupem a essa suprema indignidade. Não mantenho o blogue por ter muitos ou poucos leitores. Isto é um divertimento ao qual consagro meia hora diária, como outros farão com um tabuleiro de xadrez, paciências ou puzzles. Aliás, Combustões é ou pretende ser isso mesmo: uma fuga, um escape, uma coisa absolutamente inútil, sem agenda e sem intuitos escusos. Terão reparado que aqui, justiça seja feita, não há remoques, ataques pessoais, recados. Aqui escrevo diariamente o que bem me apetece, podendo até estar a desenrolar-se um golpe de Estado em Portugal e eu fingir que nada sei, escrevendo um textozinho sobre sobremesas ou sobre um ignoto rei de Mandalay. Depois, vivo exilado, voluntariamente indiferente aos acidentes e coisas que, tão longe estão, me permitem apreciar quão pequenas são. Se escrevo sobre Portugal, só o faço porque me interessa o essencial, eventualmente mitificado, mas aquilo em vale a pena investir tempo e atenção. A política, essa, façam-na aqueles que sentem a vocação. Sou apartidário - absolutamente livre de servidões de lóbi - e tenho um partido, um só e esse chama-se Portugal, como só tenho um chefe e esse dá pelo nome de Estado. Nós somos o flanco. O flanco aguenta. Estamos entrincheirados e por aqui ninguém passa. É tudo.


We are the Flank

8 comentários:

João Amorim disse...

... e não é pouco!

Nuno Castelo-Branco disse...

Nem vale a pena preocupares-te muito com isso. Todos sabemos como funcionam os blogues, variando o sitemeter consoante as palavras chave: sexo, nomes de jogadores de futebol, artistas de televisão, etc. E o ridículo que é passarem a vida a emitir telegráficas notícias escutadas minuto a minuto nas televisões... Bah!

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

É com alegria que soube que há trezentas pessoas que diariamente gastam o seu precioso tempo com a leitura do seu blogue. Imaginei, vivendo no meio do deserto que hoje é o país, que fossem muito menos. Isso me dá esperança de que afinal Portugal não está perdido.
Por fim, para arrematar, lembro que com trezentos os espartanos aguentaram pelo tempo necessário o ataque de 200 mil e salvaram o berço do então frágil e bárbaro Ocidente.
Vale mais um quilo de ouro que uma tonelada de areia.

Parabéns e um grande abraço.

NanBanJin disse...

Faço minhas as palavras do Carlos Velasco.

Abraço do Japão,
NBJ

Green Toad disse...

O seu bloque atrai-me justamente pela ausencia de tudo aquilo que esse leitor sugere. Depois, a qualidade com que escreve e sobre o que versa tem um defeito: causa habituação na minha leitura diária.

Os meus votos (puramente egoístas) que enquanto a sua disponibilidade pessoal e profissional assim o permitir, continue a dar a conhecer esses bocados de Portugal pelo mundo fora e uma forma de ser de quem se assume como independente e livre de quaisquer seitas.

ze disse...

Era o que mais faltava que passasse a escrever para incremento da “audiência”. Quem quiser tal que se dedique às telenovelas.
Assina: Um dos trezentos

Marcia Faria disse...

Quantidade não é qualidade!!!

Concordo com as suas palavras.

Através do seu blog,conheci parte da história de Portugal que me era totalmente desconhecida.

Um abraço...

Isabel Metello disse...

Miguel, geralmente, a autenticidade não se compraz na massificação, aliás, são dois termos quase antagónicos. É esse mesmo traço distintivo que nos faz valorizar um diamante entre 100.000 pedras da calçada :)...E a resiliência do Miguel, a meu ver, vai ao cerne da questão- à estrutura profunda...da banalidade e venalidade da superfície estamos nós llenos em todos os domínios da nossa efémera existência!
Este blogue marca a diferença por essa autêntica elevação e qualidade face a banais génios auto-proclamados que para aí pululam na eterna sociedade dos Damasos Salcedes ;)Abç sempre com profunda admiração