28 fevereiro 2010

Família real tailandesa exprime pesar pela tragédia da Madeira

O bazar da Cruz Vermelha, inaugurado ontem pela Princesa Maha Chakri Sirindhorn, foi um sucesso para a representação de Portugal, que viu esgotada a mercadoria inteiramente composta por produtos da melhor qualidade. Aguardavam a filha do Rei os nossos embaixadores, que ofereceram uma lembrança em nome de Portugal e se detiveram durante largos minutos em conversa sobre as peças expostas: porcelanas da Vista Alegre, faianças artísticas da Bordallo Pinheiro, vidros da Marinha Grande, bem como as melhores colheitas da Real Companhia Velha e produtos da Madeira e Açores. A Princesa, que uma vez mais manifestou interesse em visitar as ilhas atlânticas portuguesas, exprimiu em nome de SM e do povo tailandês pesar pela recente tragédia que enlutou o povo madeirense. O embaixador português disse-lhe que o povo da Madeira demonstrou admirável fortaleza e dignidade perante a calamidade e que do luto se reerguerá, como sempre aconteceu no passado, mais forte e empreendedor.


Passada a comitiva real, muitos dos seus membros regressaram ao stand de Portugal e adquiriram por atacado conjuntos de peças, que estimaram soberbos de elegância e acabamento. Sei que ontem pela tarde uma conhecida Khuning - neta de um dos reis da actual dinastia - que ficara impressionada pelas peças bordalianas, ali regressou e comprou uma grande terrina com motivos vegetalistas. Estas peças passarão, evidentemente, a adornar as salas da alta sociedade tailandesa e serão motivo de elogios e ciúme, convite para futuras encomendas.


Este ano, entre as 49 representações diplomáticas figuravam quatro países lusófonos: Portugal, Brasil, Angola e Timor-Leste. A embaixatriz de Timor, que por si faz cartaz pelo mais recente país do Sudeste-Asiático, passou por várias vezes pelo stand português, o mesmo acontecendo com o embaixador de Angola, fazendo jus a essa inquebrantável atracção e afecto entre povos que viveram juntos, falam a mesma língua e partilham da mesma visão do mundo. O interesse por Portugal, sendo um dado inquestionável entre o povo tailandês, é sobretudo forte entre as pessoas de educação superior, que conhecem e sempre assinalam a diferença do relacionamento existente entre o seu país e Portugal - forte de cinco séculos - o as relações que mantêm com outros estados ocidentais. A vice-presidente da Siam Society, que comprou várias peças, aludiu ao meio milénio que aguarda celebração e exprimiu, uma vez mais, grande admiração e amizade por nós. A diplomacia também se faz em acções de caridade.



เพลงมหาชัย

Uma oportunidade única. (VER)

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Assim mesmo! Não podemos ficar absolutamente presos às maravilhas gastronómicas, embora estas pesem bastante para a boa imagem daquilo que aqui se produz. Ao lado de queijos, enchidos, azeite e outros produtos, há que mostrar a arte e as porcelanas são sem dúvida, magníficas. A grande sociedade é a melhor compradora de Vista Alegre, por exemplo.
É uma pena não existir um verdadeiro interesse por parte de Lisboa, até porque é urgente a perfeita coordenação para o ano do meio milénio das relações e aliança. Convinha ter a presença de bons livros portugueses, com ilustrações acerca do período da expansão, joalharia, mobiliário, património arquitectónico, etc. Seria excelente e parece fácil fazê-lo, desde que as autoridades nacionais nisso se empenhem um pouco. Os tailandeses ficarão muito impressionados.