19 fevereiro 2010

Disfuncionar


Greve geral da função pública marcada para dia 24. O Estado comendo a sua própria cauda, os postos de trabalho mais seguros dando o exemplo. Aumentos ? Claro. Descongelar acesso a carreiras ? Naturalmente. Em 1973 eram 150.000. Nessa altura fazia-se tudo com caneta na mão, teclado de aço e papel químico. Portugal tinha 2.000.000 km2 e 25.000.000 de habitantes. Hoje, com 89.000 km2, soberania evacuada e muito computador, são 700.000. Pedem aumentos. É a soltura. O país pode andar aos caixotes de lixo, mas o Estado é rico e os seus funcionários pedem mais. Uma vergonha.

4 comentários:

Pedro Leite Ribeiro disse...

Seria de esperar que, com uma inflação negativa, os funcionários participassem mais empenhadamente na recuperação económica do País. Mas tantos a ganhar tão pouco e a ver as finanças aplicadas na salvação de banqueiros incompetentes ou em negócios escuros, que se pode exigir dos que pouco mais ganham do que o salário mínimo? Os cem anos da república são comemorados devidamente, i. é, sem moral, sem patriotismo e sem motivos de satisfação material. Há funcionários a mais, é verdade, mas que condições oferece o sector privado? Despedimentos, falências fraudulentas, salários em atraso. Parece que Portugal permanece num limbo criado por sucessivas gestões medrosas nem esquerda, nem direita. Mas o espírito português ainda está vivo. Ao contrário do Espanhol cujo elevado índice de desemprego se fica a dever à fraca vontade de trabalhar, o Português é um povo que trabalha e que quer sempre melhorar o seu nível de vida, mesmo que para isso tenha que procurar sustento noutras paragens. Os portugueses são bons, só precisam de liderança ao mesmo nível.

Margarida disse...

Ah Miguel, que o seu reino também não é deste mundo...
Pelo menos livra-se do (des)prazer de ter de ouvir os porta-vozes dos sindicatos, naquelas vozes roufenhas, monocórdico-estridentes, a debitar sempre (ou crescentemente?) o mesmo discurso gasto, serôdio, malsão...
Se não fosse excessiva e deslocadamente poético, agora falaria do egoísmo, do desinteresse pelos outros e do desamor pela nação.
Greve porquê e/ou para quê?
Para não fazerem nada e incomodarem o próximo.
Porque quem querem beliscar tem rumo definido e - sobretudo - incapacidade de manobra.
Nesse campo.
Por enquanto...

Levy disse...

Desculpe Miguel, só uma pequena correcção: a greve está marcada para dia 4 de Março.

A minha profissão foi funcionalizada e por conseguinte integrada no "funcionalismo" público. É como pertencente a essa categoria que comento a sua posta.

A pior coisa que se fez à função pública desde o 25 de Abril foi a indiferenciação. Todos são tratados por igual. Quer trabalhem bem ou mal, recebem todos o mesmo e aumentos iguais. Essa deveria ser a maior indignação dos funcionários públicos e dos seus sindicatos. Mas não é. Ninguém se preocupa com isso.
Há muita gente que tem motivos de queixa, mas também há muitos que ganham muito para o que fazem. No contacto que tenho tido com esse mundo, observo que na maioria das vezes quem mais berra, reivindica e faz greve, é que menos faz.
Não farei greve dia 4, não porque goste do Governo ou o apoie, muito pelo contrário, mas pelo simples facto de que o sistema esta todo armadilhado e não tem concerto. Não vale a pena.

Zé das Ondas disse...

O que seria de Portugal sem o pai Estado?
É possível o Estado funcionar...sem funcionários?
Quem dirige os funcionários? Boys, girls...nomeados por aqueles que são eleitos.
Claro que há quem não vote, sentindo-se acima de todos.
Só que são governador por aqueles que outros elegeram.
É tudo uma questão de feitio.