06 janeiro 2010

Sebastianista ? Claro que o sou

Nunca me seduziu a pacata vida da aurea mediocritas, que ilude a felicidade verdadeira que é feita de provação, risco, desafio e inquietude. Aqui disse há dias que os portugueses não gostam da vida que levam, que se sentem tristes e incompletos; por isso, vingam-se com as armas da maledicência, da inveja e da impiedade. O sentimento de viver emparedado no pequeno rectângulo que já foi porta e cais, perante o oceano que foi lavrado pelos braços e sulcado em todas as direcções da aventura, leva cada um, na sua circunstância e fibra, a procurar o exílio interno entre as paredes de uma casa ou o salto para a imensidão dos grandes espaços onde o português se sente livre. Nas primeiras estrofes dos Lusíadas perpassa esse sentimento. Com orgulho, os portugueses de todas as idades e estamentos, leram-no desde o século XVII e desdenharam do Portugal sem glória e sem luz que se lhes oferecia ver. Não, não é a nostalgia de uma grande potência que nos obriga a olhar o passado: é saber que o mesmo pequeno, pobre e periférico país soube resolver a sua incompletude desafiando o medo, a inibição e até o ridículo fazendo coisas que ainda enchem de espanto todos quantos se abeiram da nossa história. Levantámo-nos, caímos e, de novo nos levantámos duas, três, quatro vezes. Esse é o segredo de Portugal.

Se o sebastianismo é esse chamamento, sejamo-lo e exijamos o impossível.

1 comentário:

Deolinda disse...

Sim... exijamos o impossível!