14 janeiro 2010

Os nossos irmãos portugueses de Malaca

Stuart da Costa, a nova geração de portugueses de Malaca

William de Silva, que já fala português

Cátia Candeias, animadora cultural e bolseira do Instituto Camões, tem realizado um brilhante trabalho entre a comunidade portuguesa de Malaca. Exultante fico perante os testemunhos dessa entrega e esforço em preservar a identidade portuguesa na outrora pérola da Coroa no Sudeste-Asiático. O sorriso das crianças é eloquente, pois as crianças não sabem mentir. Depois, há os velhos resistentes, Noel Félix e Joe Lazaro, líderes do "kampong", homens que não deixaram a chama morrer. De viola em riste, cantam o Portugal distante que nunca visitaram mas que está ali bem perto, dentro dos corações. Olho para a bandeira e vejo neles portugueses. Reparo que a nossa bandeira - a da tradição, azul e branca, a dos nossos reis - ali também se preserva como memória do passado que não morre. Há dias em sinto absoluto orgulho em ter nascido português.


7 comentários:

Florisa disse...

Que lindo comentário que fez ao brilhante trabalho de CATIA CANDEIAS,uma das fundadoras da Associação Cultural coraçao em Malaca.
O sorriso das crianças
Os velhos resistentes,Noel Félix e joe Lázaro que não deixam a chama morrer
Olhar para a bandeira e ver neles Portugueses.
Obrigada meu amiGo por estar ATENTO e ter escrito estas lindas palavras, em ter orgulho de ser Portugues e de gostar dos Portuguses de Malaca.
BEM HAJA.

Isidro disse...

Em 5 viagens ao Sudoeste Asiático foi aqui em Malacca no Portuguese Settlement onde também tive mais orgulho em ser Português!!!! numa tarde de Outubro no ano 2002 a beber umas cervejinhas no Restaurant Lisbon na companhia do Sr. George Alcantra (the boss) e do Sr. Pedro da Silva cidadãos Malaios mas orgulhosos das suas origens Portuguesas que datam de há séculos. Gosto muito do seu blog, mas como o meu interesse principal é a Taiândia acho que poderia ter mais artigos sobre a vida e os costumes Tailandeses (gostei muito do seu último sobre a magia), só digo isto porque sei que o Sr. vive em Bangkok por isso a razão do meu comentário. Cumprimentos.

Nuno Caldeira da Silva disse...

Malaca e o bairro português são únicos. Tenho de te mandar umas fotos lá com o Regedro (sim existe um Regedor - o Peter Gomes se não me engano) num jantar com guitarras, fado e comida dita portuguesa rodeado por essas ruas todas com noes portugueses. A pena é que as memórias das pessoas serem referentes do General Spínola e Eng Nuno Abecasis que terá sido o último português que trouxe algo verdadeiramente importante para eles de tal modo que foi dele que me falaram. Fico contecte por saber que finalmente há uma leitora de português. Oxalá lhe sejam dadas as condições para produzir trabalho. Só uma nota final para lamentar que o Governo de Malaca não tenha querido aceitar as condições que o Grupo Pestana requereu para gerir o Hotel e o novo complexo que foi construido no local Eram requesitos normais de quem sabe gerir hotéis e pousadas como alargar a entrada do local, retirar o restaurante da passagem dos clientes para a recepção e construir uma piscina (quase que obrigatório em qualquer unidade hoteleira hoje em dia). Perdeu-se essa grande oportunidade e há que dizê-lo não foi por desinteresse do grupo empresarial português.

Pedro Leite Ribeiro disse...

Afinal, é "longe da vista, perto do coração" que se deve dizer!
Anseio por poder ir a essa Ásia de que nos dá conta no Combustões!

Laura disse...

Assisti há uma série de anos a uma palestra sobre o bairro português em Malaca, proferida por um sociólogo, professor ou investigador da Universidade Nova, cujo nome não recordo mas que, por acaso, era estrangeiro (USA). Embora já estivesse à espera de uma revelação assim, fiquei absolutamente rendida com tudo o que ouvi e vi (uma longa mostra de slides tirados in loco pelo próprio).
Foi uma sessão empolgante. Por todos os relatos feitos na primeira pessoa (o orador vivera mesmo lá durante largos meses). E pela vivência indirecta das raízes que por lá deixámos. Foi muito comovente ver, por exemplo, os pequenos rituais associados à época dos santos populares, em que os moradores colocam velas e balões (alguns ou muitos já sem saber porquê). Foi uma grande sorte gozar de uma certa obscuridade na sala durante a projecção... porque de outra maneira não teria conseguido disfarçar as lágrimas a querer saltar dos olhos. Impossível ficar indiferente e deixar de nos entristecer perante um legado deixado ao Deus dará.
Em Portugal devia ser obrigatório organizar uma espécie de roadshow sobre os traços da diáspora no mundo de hoje. Nas escolas, por exemplo, não era?
Ficaríamos de certeza com mais horizontes do que os de todas as férias em Cancún...

Portugueses de Malaca disse...

Olá Miguel,

Gostei muito de ver os meus alunos no seu blog como a futura geração de portugueses de Malaca .

Será esta nova geração que terá de guardar e mantêr as tradições portuguesas que têm sobrevivido de geração em geração (quase 500 anos). Uma relíquia.

Estou a viver no Portuguese Settlement já lá vão 4 meses. Todos os dias é uma nova aprendizagem. Partilho com as pessoas as nossas tradições e além das aulas de português tenho disponibilizado todo o tipo de material desde musica, jogos, histórias, festevidades etc...

Todos os dias oiço as histórias maravilhosas deste portugueses que mantêm a sua originalidade única.

Quem conhece o bairro português de Malaca e quem já conviveu com os portugueses de Malaca sabe que em cada casa existe uma história, em cada casa existe um heroi , em casa casa existem vários descendentes de portugueses, em cada casa existem várias violas, em cada pessoa existe o saudosismo.

Quando se visita o Bairro Português, é fundamental ser um turista curioso. A verdadeira história reside nas pessoas. Digo isto porque muitas vezes pensam que vão encontrar no bairro monumentos grandiosos, museus... etc... já foram muitos turistas que conheci que vieram com essa ideia. Outros nem veêm com tempo...limitam-se a tirar uma foto ao Estreito de Malaca e voltam as costas para o autocarro.

Os que tenho oportunidade de conhecer esses já não querem sair do bairro...

Sinto um orgulho enorme em conhecer esta comunidade em todos os aspectos.

É realmente impressionante a força e resistência destes meus amigos.

Só mesmo nós, portugueses, para termos uma comunidade portuguesa em
Malaca, que vivem intensamente as nossas tradições.

Estamos do outro lado do Mundo.
Dá que pensar...não podemos deixar que Portugal perca esta relíquia.

Existe muito trabalho pela frente.

Estamos a construir um jornal com historias reais contadas pelas pessoas da comunidade. Tem como objectivo partilhar as tradições entre Portugal e Malaca.
Todos serão bem-vindos a escrever no jornal.

www.povos-cruzados.blogspot.com

Cumprimentos

De todos os portugueses de Malaca

Cátia Bárbara Candeias

jose antonio santos disse...

Parabéns e um muito obrigado à Cátia, que está a fazer um excelente trabalho junto da comunidade portuguesa de Malaca.
Sem nunca ter estado em Malaca, sinto uma ligação afectiva muito forte a essa gente e o meu sonho era um dia poder visitá-los.
Fico contente por saber que alguma coisa está a ser feita para que a ligação dos portugueses de Malaca à cultura e à língua portuguesas não se percam. Mas é necessário dar continuidade a estes projectos.
Um grande abraço para todos
José António Santos
Faro, Portugal