30 janeiro 2010

Conselhos de um pai

Quando nascemos com uma má estrela - no teu caso, a inteligência e o conhecimento - há que ser o mais silencioso e distante possível e, principalmente, nunca abrir o coração e a alma a quem nos rodeia. Como sabes inteligência e saber são, entre nós, ameaças que os parvonezes e os indigentes mentais castigam, largando-os como bodes expiatórios às feras e cortando-lhe pernas, braços, língua e, se possível, calcinando-lhes o cérebro.

O nosso Mundo está a ruir; caem civilizações e culturas; não vale a pena bater calçadas seja qual seja o partido ou a ideologia. Sabes muito melhor do que eu que as ideologias estão em falência, substituídas por interesses individuais e uma luta sem tréguas por empregos que já não existem para todo este mundo de gente que brota como cogumelos nestes tempos húmidos; não te esqueças que é necessário saber apanhá-los já que muitos são venenosos e, consequentemente, não se pode andar aos tortulhos de qualquer maneira.

Por favor, não comentes nada com ninguém; assim, não exacerbarás a inveja e a maldade humanas. Não fervas em pouca água. Na quase totalidade das vezes, ninguém merece isso.

7 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

É mesmo!

adsensum disse...

Agora imagine ainda que, para além desta má estrela, era mulher.

NanBanJin disse...

Em três parágrafos, TUDO — e se este TUDO fere?... Oh se fere!...
Fere como facadas.

Abraço do Japão,
NBJ

Marcia Faria disse...

E nem é preciso sair de casa ...

Marcia Faria disse...

E nem é preciso sair de casa ...

Isabel Metello disse...

Miguel, tem toda a razão- o segredo do Sucesso é o Silêncio, principalmente num país onde a inveja e a mediocridade existencial a ela adstrita (subserviência, gregarismo acéfalo e mesquinhez incluídos), fazem mais estragos que a radioactividade- é um cancro silencioso, audível nos sussurros das soleiras das portas onde boatos, rumores e conversas de porteira são tratados com a seriedade com que muita desta gente agrilhoada disfarça o seu vazio espiritual...desculpem-me o negativismo, mas é a mais sincera opinião de uma refugiada cultural ao contrário;) Abraço amigo

M Isabel G disse...

Ainda estou a pensar no que li...