10 julho 2009

Os groynks voltam a atacar


Os peritos do Pentágono - os mesmos que planearam a Baía dos Porcos e a brilhante campanha vietnamita, os que decantaram as armas de destruição massiva em camiões cisterna no Iraque e envolveram-se no vespeiro afegão - andam em polvorosa com os "cyber ataques" que os norte-coreanos andam a preparar contra os sítios-web de "hotéis e bibliotecas universitárias" nos EUA. A infantilidade americana é coisa que mete medo, pois limita-se a projectar o universo dos super-heróis Iron Man, Spider Man, Silver Surfer, Fantastic e Ghost Rider ao tabulado das relações internacionais. Já estou a ver na CNN um Pinsky ou um Zmersky, da Cathodic Protection Inc. ou da Waxman Systems Electronics & Integrated Solutions a aconselharem as últimas soluções Anti-Piracy. Um consultor da Zerbasky Foundation for Security Studies afirma que foram detectadas intensas comunicações de Darloks, Klakons, Wraps e outras monstruosidades silicóides-helicóides e que um informador obteve provas concludentes do envolvimento da famigerada Dark Shadow Sinarchy, dirigida por Zarkov&Goblinsky, a terrível organização que há meses concebeu e executou a partir da selva amazónica o mega-ataque de raios cósmicos de partículas beta minus UX33 contra a Kangaroo Mother Care Foundation, com sede em Mechanicsburg.

09 julho 2009

Outros portugueses

Católicos birmaneses (c.1890)
"I had only to go fifty yards from my gate to find myself among houses inhabited by the Castros and da Silvas. In the middle of the quarter was a Catholic church, not the original church, wich with its baroque façde would have been striking to see in such place, but a later barn of a building without architectural features. (...) The Portuguese, through intermarriage with the local residents, were hardly to be distinguished from them physically, nor retained their own language, but they were still Catholics. (...) A few were educated, spoke english, wore European clothes, and held minor government posts, but the majority were fishermen, not owners of the great fish traps wich were a feature of the locality (...). If I asked why they chose that profession, they would say "the sea called us", as if some memory of the intrepid navigators, who were their ancestors, still lingering with them. Sometimes they would sing sea shanties in a language which they did not understand, nor anyone could understand, but which seemed to be a Portuguese so corrupted that it had become a ringmarole.
(...) For church on Sundays they had a European jacket and trousers; and the woman did their hair in a fashion different from any used by local people (...)"

COLLINS, Maurice. Into Hidden Burma: an autobiography. London: Faber&Faber,1936

06 julho 2009

Conversa de hospital


Um súbito febrão levou-me às urgências do hospital. Temi o tal vírus, mas não passou de falso rebate. Na sala de espera, conversa mole com um americano rotundo e suado praguejando "fuck the thais fucking fuckers" e outras pérolas daquela esmerada educação com que os comedores de pipocas, mcdonalds e french fries semeiam o discurso, invariavelmente sobre dinheiro e sobre as maravilhas dos states. Pensei tratar-se de um taberneiro ou de um taxista reformado. Mas não; à saída, entregou-me um cartão que o indentificava como "general manager" de uma companhia de advogados. Se assim são os advogandos, posso imagirnar o nível [ou falta dele] dos taberneiros e dos taxistas. A criatura levantou-se, foi atendido e logo voltou com a boca cheia de comentários soezes a respeito da médica que o assistira.

Levara para o hospital uma maravilhosa obra de Shway Yoe - ou antes, Sir James George Scott (1851-1935) - intitulada The Burman: his life and notions. Ao abri-la, tentando esquecer o mostrengo acabado de sair, li: "the best thing a Burman can wish for a good Englishman, is that in some future existence, as a reward of good works, he may be born a Buddhist and if possible a Burman". Ora, nem mais. Como sempre digo, qualquer pobre camponês do Laos ou do Camboja é, sem exagero, mais civilizado que o maior banqueiro de NY.

Géneros

05 julho 2009

Dignidades parlamentares





Coreia do Sul, Somália, Taiwan, Turquia e México, ou a derrocada das ilusões rousseaunianas do Povo-Rei, o lento resvalar para a oclocracia.