14 dezembro 2009

A morte do 5 Dias

Li e reli, não fosse a rotunda sonoridade das palavras ocultar uma elegante parábola. Mas não, pois ali estava tudo quanto de mais desprezível encerra a violência gratuita, aquela que mata o combate político e a guerra das ideias, que faz do ódio uma bandeira, apela aos mais primitivos instintos e justifica o assassínio como modalidade da acção política. O 5 Dias, que sempre li com o maior interesse, não obstante se encontrar nos antípodas da minha sensibilidade estética, era um exercício de contraditório, um colocar-me do outro lado, mas agora tudo isso se dissipa perante a apologia do [anti] poder nu. É o velho fantasma da acção directa, da "propaganda pelo facto", do revolverismo e do dinamitismo - usando expressões consabidas, património das esquerdas ditas libertárias, que sempre acabaram no liberticídio - que assoma na pinchagem de Renato Teixeira. Podia ser uma blague, mas não é, pois provocação - se a fosse - exigia um exercício de retórica. Ali está, sem tirar, a arte da comunicação totalitária, palavras barrando a inteligência comunicativa. Ali está, apenas, oratória, a arte por excelência de todas as tiranias, o analfabetismo dos sentimentos, a proibição do pensamento. Jamais encontrei melhor no género e bate aos pontos o mais sórdido ódio ao humano que em tempos invadiu uma certa blogosfera racista e miserável que o curso do tempo em boa hora, à míngua de argumentos, acareou e levou à extinção. Que diferença, pois, entre o nazismo e este comunismo que se dissimula no à la page das ideias ditas progressistas ?
O 5 Dias morreu hoje.


A Bandeira do Partido (marcha titista)

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

O que eles gostavam de ver era uma nova Piazza del Loreto. Só se chateiam se forem os Ceausescus ou Saddams.