05 dezembro 2009

5.000.000 prestaram voto de lealdade ao seu Comandante

Inimaginável. Cerca de cinco milhões de tailandeses - estimativas do Khalahom, Ministério do Interior - concentraram-se hoje em todas as capitais de província e de distrito para prestar voto solene de fidelidade ao Rei. Depois do acto que ontem cobri para os meus leitores, decidi não participar na maior concentração desta jornada, que teve lugar em Sanam Luang (Terreiro do Paço) e fui a Sillom, uma das mais concorridas artérias comerciais de Banguecoque. O povo saiu em peso à rua. Eram milhares, dezenas de milhares em todos os cantos da enorme capital. No meu prédio, engalanado no exterior, elevou-se um trono votivo e os 200 moradores, com uma vela na mão, acompanharam as cerimónias transmitidas pela tv e cantaram o hino real. Depois, todo o país foi convidado a repetir o juramento de lealdade ao seu soberano: "lutar pela paz, pela prosperidade e pela união nacional até ao último suspiro", "defender o Rei, o povo e o Estado contra todas as forças apostadas em fomentar a sizânia e a mentira", "não deixar cair a bandeira e preservar a grandeza da nação, a felicidade do povo e a liberdade".

Para felicidade de todos, com muitas lágrimas de contentamento, o Rei abandonou o hospital e dirigiu-se no seu carro escoltado por motorizadas da Guarda Real até à Sala do Trono, onde proferiu importante discurso. No caminho, centenas de milhares de tailandeses de todas as condições prostraram-se à passagem do seu Rei e elevou-se repetido um coro de votos de boa saúde ao homem que na paz e na guerra é considerado o pai e o garante da preservação da independência. Às dezanove horas, por todo o país acenderam-se milhões de velas, cada uma um coração reconhecido. Foi comovente e grandioso. Não tenho palavras. A Europa tem muito que aprender para reconquistar o orgulho, a verdadeira cidadania do serviço e do dever, deixar-se de queixumes e acreditar no futuro. Como não sou budista, rezei a oração que me ensinaram em miúdo. O "não nos Deixeis cair em tentação, mas Livrai-nos do Mal" ganhou todo o sentido.
O meu prédio engalanado. "Song Phra Charoen": longa vida para o Rei.

O altar de minha casa.


1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Este post vai direitinho para o Estado Sentido e para o Centenário da República.