06 outubro 2009

Segurar a vaca para que outros a ordenhem


Os poucos republicanos que por aí se movimentam - os que o são porque aspiram secretamente ao sólio presidencial; os que o são por mal de inveja; os que o são por complexo social; os que o são por simples estupidez - agitam-se com as últimas movimentações monárquicas. O 5 de Outubro foi monárquico, esteve na rua, fez os noticiários. O presidente emparedou-se no palácio rosa, a guarda passeou-se sem espectadores, a cerimónia da Praça do Município não teve lugar. Nada disto é novo, pois a república não se escora em corações nem inteligências. Existe, arrasta-se, está no papel e no trapo. Mais grave ainda: a república tem sido a mão que agarra a vaca que toda a sorte de camarilhas tem ordenhado ao longo de um século que foi, para todos os efeitos, o pior da história portuguesa.

Parece que o Vital lá de Coimbra, que agora faz as vezes de pretor - durante anos o cargo foi de Jorge Miranda até se afastar, nauseado, de todas as tropelias que se fazem em nome da constituição - afirmou peremporiamente que a questão da monarquia não se coloca. Espanta-me que homem tão versátil e conhecedor nas artes do transformismo se mostre tão indisponível. Não importa. Nada disso é relevante, pois o tempo virá. Não há pressas. É tão matemático como prever a chegada de um cometa. Vamos ter referendo, queira ou não o Vital.
Miguel Castelo Branco

2 comentários:

João Távora disse...

O nosso 5 de Outubro significou um decisivo passo para a mudança de paradigma: a republica foi dessacralizada e está lançada a discussão do regime. Forte abraço

Nuno Castelo-Branco disse...

Deus queira que eles proíbam o referendo. Seria excelente para os desmascarar.