19 outubro 2009

Reconciliar-me com a França


À noite, em casa, com Un pèlerin d'Angkor de Pierre Loti nas mãos e a voz de Dalida para amolecer o coração. A França possui, sem dúvida, a mais bela das línguas, lídima herdeira do latim clássico. Perguntava-me um amigo há momentos por que razão zurzia nos bons padres da Société des Missions Étrangères de Paris que aqui tanto fizeram e continuam a fazer pelos pobres, pelos doentes e deserdados. Corrigi. Não, esses padres foram do melhor que a Igreja teve, para além, claro, dos nossos Jesuítas. Entregaram as suas vidas a uma missão, deixaram a Europa, instalaram-se nos confins do mundo e acreditavam profundamente na sua vocação ao ponto de se deixarem matar. A França cometeu erros tremendos nesta parte do mundo, mas os padres, esses, foram vítimas da cegueira, da sobranceria e do umbiguismo dos homens que fazem a grande política, de Luís XIV a Jules Ferry.

Nada tenho contra a França. Pelo contrário, foi a França que me concedeu a bolsa de estudo que me facultou o mestrado, foram amigos franceses que vieram ver-me quando estive doente e, digo-o sem qualquer hesitação, aqui no distante Oriente, sempre que precisei da boa companhia de europeus, encontrei-a nos franceses. Só nos zangamos com aqueles de quem gostamos. Não me passa pela cabeça partilhar ideias e sentimentos com gente das Holandas, das Dinamarcas e das Suécias, tão parecidos connosco como os zulús ou os apaches.

2 comentários:

P.AP disse...

Fico sempre feliz quando falam bem da França ou dos franceses.
Merci! :)
Sílvia

Pedro Leite Ribeiro disse...

Eu juntaria a língua italiana à francesa como uma das mais belas.