06 outubro 2009

Pelo Senhor da Vida, evocando o Corpo de Voluntários Portugueses

Depois de um dia de trabalho na biblioteca do Palácio Real, apanhei o ferry no embarcadouro fluvial de Tá Chang (Porto do Elefante), que outrora foi o cais de Banguecoque e local onde aportavam sampanas do Junk Trade de Cantão carregadas com os produtos da China. O cais revestia-se então de grande importância para a economia do Sião e era defendido por guarnição militar inteiramente composta por membros da comunidade católica luso-siamesa. O Corpo de Voluntários Portugueses, dotado de artilharia, manteve-se até à reforma do exército e foi muito acarinhado pelos primeiros reis da ctual dinastia Chakry.

O destino da pequena travessia era, obviamente, o hospital onde se encontra internado há quase duas semanas o Rei da Tailândia. O Chao Chivit - Senhor da Vida - debate-se com doença pulmonar e tem sido visitado por centenas de milhares de súbditos de todas as idades, etnias, religiões e condições. Chovia torrencialmente e tive de esperar quase meia hora para assinar o livro. Deixei, apenas, o meu nome e nacionalidade.


Desde que o monarca deu entrada na unidade hospitalar, todos os dias, às seis da tarde, as pessoas aglomeram-se, agitam bandeiras, cantam o hino nacional e pedem as melhoras do seu Rei. Não são cem nem mil. São ajuntamentos a perder de vista, milhares de homens, mulheres e crianças repetindo o Som Phra Charoen, saudação destinada à família real. É comovente, é grandioso e impressionante, pois nada é orquestrado. É patriotismo sem mácula. E andamos nós a perder tempo com a república, essa senhora que não se dá ao respeito !

Miguel Castelo Branco

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Espero que Bhumibol sobreviva. O país ainda não está preparado para o seu desaparecimento.

Laura disse...

Ontem, já a grandes desoras, vi um programa na TVI 24 sobre a Tailândia que, logo desde o início, me levou a lembrar de si, por causa dos inúmeros posts lidos no Combustões, com muito interesse meu e de todos lá de casa.
Talvez por isso a reportagem, com todas as suas contingências, me tenha sabido deliciosamente às madalenas de Proust:)reconhecendo-lhe as suas informações, as sensações que nos transmite e as suas reflexões :)
Estava certa, por isso, de que iria aparecer e foi giro vê-lo ao vivo no ecrã.
Muita coisa haveria a dizer.
Mas olhe: fico-me, com simplicidade, pelo espectáculo impressionante das cores - que assombro; pelo Buda encravado no sopé da árvore e pela teimosia do Sr. Colaço.
O Sião tem mesmo muitas lições a dar ao ocidente 'evoluído'.
Parabéns também pelo seu trabalho (veremos se Portugal o merece).