14 outubro 2009

O partido anti-português do Brasil

Maitê Proença - confesso que mal a conheço, pois não vejo telenovelas há trinta e tal anos - terá feito comentários desagradáveis a respeito dos portugueses, pelo que se retratou com pedido de desculpas. Vendo um curto excerto do programa, que é eloquente do analfabetismo alvar da rapariga, compreende-se que se ria do que desconhece.
O mundo está cheio de idiotas e não é a rapariga que alterará com tão miserável exibição de mentecaptismo atrevido essa nossa certeza. A fazer fé no arrependimento da actriz, fica a mancha de um deslize que não é relevante pela protagonista da gaffe, mas pelo facto de ser característica de um grande país, tão grande como um continente, que foi talhado por Portugal. Aos brasileiros, esse povo admirável nos defeitos e nas qualidades - e até nas qualidades dos seus defeitos - importa lembrar que o Brasil nunca existiu; ou antes, o Brasil foi sempre, pelo menos até aos anos 20 ou 30 do século XX, a expressão da ideia de um Portugal atlântico, tropical e ultramarino. Sem os portugueses, o Brasil seria hoje um amontoado de republiquetas de fala castelhana com enclaves étnicos nativos dominados por terratenentes crioulos como o são, com excepção do Uruguai, do Chile e da Aregentina, os países saídos da colonização espanhola.
O Brasil é uma criação portuguesa e tudo o que disserem descendentes de italianos, alemães, libaneses e sírios que ali prosperaram faz parte de uma persistente tentativa de reescrever a história. O brasileiro fala português, o seu Estado foi feito por portugueses, as suas leis e instituições são de matriz portuguesa, os valores sociais e individuais carregam mais de trezentos anos de vida portuguesa e até a sua literatura - pelo menos até Euclides - é portuguesa.
O Brasil, lembrem-se os brasileiros, foi monarquia com casa imperial Bragança e chegou até a ser sede do poder, substituindo-se a Lisboa como cabeça do império. O Brasil é caso único, pelo que não se deve contorcer com as habituais cólicas compensatórias e complexos de inferioridade que acometem os ex-colonizados. Há anos tive a oportunidade de conhecer alguns académicos brasileiros que desenvolviam actividade docente nos Eua. Era um permanente campeonato de lugares-comuns e ditos sem espírito nem inteligência para apurar quem dizia mais mal de Portugal. Uns eram pró-holandeses, outros gostariam que o Brasil tivesse sido colónia britânica, outros ainda que se tivesse mantido à margem e fosse um imenso telão verde povoado por bons selvagens. Ou seja, esses professores de língua e cultura debatiam-se com a maior das contradições que era a de negarem o múnus da sua actividade profissional. É triste, pois o Brasil, para ser Brasil, não tem outro destino que o de actualizar, globalizando-a, a herança portuguesa. Nós não devemos nada ao Brasil.
O Brasil, sim, deve-nos a visibilidade, a grandeza da sua mancha territorial, a homogeneidade da língua, a capacidade de se ver para além da América do Sul.
O Brasil é, nem mais, o prolongamento de Portugal, pelo que não me repugna a ideia de, um dia, o Portugal europeu possa vir a integrar a Federação Brasileira. Sempre que olho esse colosso, lhe ouço o hino e olho a bandeira só vejo Portugal, não o Portugal Estado-nação, mas uma ideia de fraternidade universal que saiu da nossa lavra.
O Brasil, a vir a ser uma grande potência, não mais será que Portugal.
Miguel Castelo Branco
O leitor Jorge Peralta pede-me que inclua algumas notas e comentários seus a este texto. Faço-o com todo o gosto, pois reforça a nossa argumentação.
EPOPEIA PAULISTA E A LUSOFONIA
JPeralta

Dê-se honra a quem merece. A César o que é de César.
O Miguel tem plena razão no que afirma. Apoio integralmente.
Atrida tem 50% de razão. Inconcebível, alguém dizer que: “São Paulo tem muito pouco de obra Portuguesa”. É não saber o que se diz: é tropeçar na história; é afrontoso aos fatos.

O espírito paulista é, como sempre foi, genuinamente português, desde a sua origem, no século XVI, até nossos dias. Lógico que é uma questão muito complexa. Vale uma epopéia: uma Paulistíadas ou uma Paulicéia...
Acho que a comentadora não conhece o dinamismo dos Bandeirantes e Tropeiros que ampliaram e fizeram esta terra paulista e quase todo o Brasil, a partir deste Planalto Paulista.
São Paulo era uma imensa região quase inexpugnável, no passado, devido às escarpas da Serra. Por isso, foi um “oásis” de liberdade, em tempos difíceis, principalmente dos “Felipes” e da Inquisição que aqui não chegou. Os paulistas nunca aceitaram o domínio castelhano.
Os paulistas, Bandeirantes foram salvos da Inquisição pela Restauração da soberania de Portugal, em 1640. (Mas essa já é outra história).

O dinamismo de São Paulo é plenamente português. Os portugueses e luso-descendentes sempre deram o tom ao grande desenvolvimento, que daqui se espalhou por todo o Brasil. Foram os paulistas, luso-descendentes e portugueses, que se embrenharam pelos sertões e florestas deste imenso território, aumentando duas vezes a dimensão original.
Os Bandeirantes foram chamados “Raça de Gigantes”, com muita propriedade.
Os alemães, os italianos, japoneses, etc, etc, somente vieram no fim do século XIX e no século XX, e nunca imaginaram que alguém lhes atribuísse tais méritos. Foram muito bem-vindos. Eles têm o mérito que têm. Só. O resto é manipulação política. É extorsão.

São Paulo é a maior metrópole do Ocidente, a maior cidade da civilização latina, a maior cidade da lusofonia. É uma cidade cosmopolita.
Afinal, que Língua se fala em São Paulo?
É a Língua Portuguesa legítima. Só. É um espaço lusófono.

Outros povos deram aqui sua grande contribuição, sim senhora. Ninguém o nega. Mas nunca foram superiores, em dinamismo, ousadia e competência, aos portugueses.
Honra lhes seja feita, mas sem tirar a honra dos portugueses, conquistada com suor e sangue, porque aqui nunca houve benesses oficiais.
A “Beneficência Portuguesa” de São Paulo é um dos maiores e mais avançados complexos hospitalares do Brasil e do mundo, só para dar um exemplo. São Paulo é obra de todos.
Quem quiser excluir os portugueses, ou está conspirando ou manipulando a opinião pública, ou está sendo manipulado, por desconhecimento e por desinformação.


Só quem não conhece a obra magnífica dos portugueses e luso-descendentes, até aos nossos dias, é capaz de fazer afirmações que os possam diminuir diante de outros povos, ou diante deles mesmos.
Hoje, todos os povos aqui estão convivendo em paz, miscigenados, mas a alma paulista. Tem DNA português, biológico e cultural, dominante, como em todo o país.
Todo esforço que alguns fazem para tentar esconder o substrato e as raízes portuguesas será sempre inóquo, infrutífero e mesquinho, até porque o português nunca precisou disputar nesse nível. Não precisou. Ele está indelével e bem vivo, na alma paulista e brasileira.
Hoje precisamos começar a reagir, diante de certas investidas de cartas marcadas... Por isso estou reagindo, não para rejeitar, mas para reconstituir a história mal contada.

Apesar disto, reitero que aqui não é Portugal. Aqui é Brasil legítimo. Os portugueses não fizeram cópias, reproduzindo algo. Fizeram novos originais.
Aqui é uma nova nação, em todos os sentidos. Uma nova civilização.
É “o mundo que o português criou”, no dizer de Gilberto Freire.
O português criou e ajudou a criar um Novo Mundo, de matriz portuguesa, indígena e um pouco negra, (aqui em São Paulo).
Depois os demais povos que aqui se juntaram, sempre foram bem acolhidos. Vieram de uma Europa em frangalhos, sem condições de oferecer uma vida digna a seus filhos, e aqui trouxeram sua contribuição preciosa.

Quanto à idéia de uma Federação luso-brasileira, eu defendo princípio idêntico. Mas não cabe aqui prosseguir (ver mais:
www.tribunalusofona.blogspot.com/2009/07/portugal-um-icone-mundial.html )
Aqui termino.
Para saber mais sobre os Bandeirantes consulte:
www.bandeirantes-sp.com.br
Esclareço que moro em São Paulo, há mais de 50 anos. Sou professor (aposentado) da USP, a melhor Universidade da Lusofonia.

22 comentários:

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Esse evento me deixou envergonhado. Esta senhora fez todos os brasileiros passarem por estúpidos, ao menos para as pessoas mais apaixonadas e dadas às generalizações.
Se ela fosse um caso único, não seria grave, mas infelizmente há muitos brasileiros mal-educados que acabam por dar fama a todos durante as suas viagens. Eles competem com os novos ricos russos de igual para igual.
Destruir a imagem de Portugal no Brasil é parte do projecto de destruição dos valores tradicionais do próprio Brasil, objectivo primeiro da revolução em curso naquela terra.
Os brasileiros conservadores sabem que nós somos os portugueses das Américas (A obra de Gilberto Freyre é testemunho disso), e felizmente mais gente começa a despertar para a manipulação do passado que a educação pública, toda ela esquerdista, promoveu.
Essa gente não vê que a destruição do Reino Unido foi a maior tragédia da história portuguesa e brasileira, e que a chave para atingirmos o cume da civilização é voltar a unir o que o espírito de facção de alguns grupos extremistas, apoiados por ajuda externa, desuniram no passado.
Na sua ânsia de encontrar bodes expiatórios imaginários para o nosso fracasso no passado, não percebem que são eles que estão a destruir o pouco ainda que temos no presente.
Espero que as suas ideias sejam varridas do mapa antes que elas nos destruam.

Saudações luso-tropicais.

P.S: Lhe enviarei dois arquivos interessantes por e-mail.

um minuto disse...

É isso aí amigo, muito bem calocadas as ideias; como diz o poeta Chico Buarque de Holanda em fado tropical
"Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um imenso Portugal"
julio (do Brasil)

cristina ribeiro disse...

Que bom é podermos ler textos destes...

NanBanJin disse...

Nesta história a única a ficar mal foi a dita senhora, com a patética exibição da sua petulância e estupidez extremas.
É realmente incrível uma criatura destas fazer a figura triste que fez e ainda vir a público dizer que não compreende as reações de indignação que o caso surtiu e dizer que tudo não passou de uma “brincadeira caseira”.
Há gente que não tem mesmo a menor noção de si mesma. Que tristeza.

Amélia das Marmitas disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Nuno Castelo-Branco disse...

Este infeliz episódio só terá a importância que cada um lhe quiser atribuir. O Brasil é grande país e uma das âncoras da nossa independência política. Como o Miguel diz, a federação luso-brasileira é uma possibilidade histórica, até porque a União Europeia é ainda uma miragem. O que se torna necessário é o gizar de uma política de reaproximação cultural, porque no que respeita à economia, os negociantes sempre se entenderão.
D. João VI tinha razão.

atrida disse...

Acho que o Miguel, num texto globalmente muito interessante, não dá o devido realce ao contributo que outros povos deram, a partir da 2ª metade do séc. XIX, ao desenvolvimento do Brasil: italianos, ucranianos, japoneses, sírios e libaneses. Basta atentar no incrível dinamismo de São Paulo, que, confessemo-lo, tem muito pouco de obra portuguesa: o empreendedorismo daquela gente, o nível de exigência com o trabalho, a dedicação - têm mais dos italianos do norte e da mentalidade norte-americana que de Portugal. E tendo em conta que a possibilidade de o Brasil se confirmar como grande potência só é real graças ao contributo de São Paulo...
Quanto ao resto: língua, cultura, religião, tradições, arquitectura rural e (do que foi preservado) citadina - o nosso contributo é notável. E não tenho dúvidas que em largos espaços do Brasil se encontra muito mais de Portugal que nas nossas acéfalas cidades e na nossa mentalidade pequenina.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Me sinto na obrigação de fazer um reparo ao que foi escrito pelo Atrida.
É verdade, especialmente em São Paulo, que houve um influxo enorme de outros povos.
Mas o espírito de paulista era já invulgarmente empreendedor antes disso.
Desde os tempos recuados dos bandeirantes até o século XVIII, quando daí saíram Bartolomeu e Alexandre de Gusmão para aumentar a glória de Portugal, aquela zona do mundo português revelou uma energia e uma capacidade de mudança incomum, e no século XIX foram as velhas famílias paulistas que conduziram o estado ao protagonismo de hoje.
As primeiras ferrovias e indústrias da então província foram erguidas por iniciativa de fazendeiros locais, que não se contentavam com rendas fáceis, e não do governo ou de investidores ingleses como no resto do país, e até o processo ordeiro de independência foi conduzido com sucesso graças ao apoio da elite local, representada muito bem pelos irmãos Andrada.
A substituição da escravatura pela imigração também foi obra dessa elite. Um dos seus pioneiros foi o fazendeiro paulista Nicolau Vergueiro, português europeu que optou pelo Brasil quando da secessão do Reino Unido.
Admito que os imigrantes trouxeram muitas técnicas industriais, agrícolas e financeiras novas, mas ele já encontraram em São Paulo um ambiente propício ao dinamismo. O carácter de São Paulo foi forjado pelo bandeirante, filho da união do luso com o guarani.
Se os imigrantes fossem a causa do dinamismo paulista, então a Argentina e o Uruguai, que receberam a mesma gente e em maior quantidade, seriam pólos de dinamismo equivalentes.
Ao invés disso são países que tiveram um sucesso fácil no passado graças ao facto de serem países temperados e muito férteis, não precisando fazer mais do que adoptar as existentes técnicas europeias, e hoje não conseguem acompanhar o dinamismo do mundo, perderam toda a indústria de ponta e até importam alimentos(vide Argentina hoje).
Por fim, o maior empreendedor da minha cidade natal, Santos, é português, Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, é filho de portugueses, e Antônio Ermírio de Moraes, neto de portugueses, para além de proprietário do grupo industrial e bancário Votorantim, é presidente da Real e Benemérita Sociedade Associação Portuguesa de Beneficiência, organização que administra o maior hospital privado da América Latina.
Os únicos nomes que competem com esses em São Paulo e no Brasil são quase todos de origem judaica.

Edson Camargo disse...

Discordo, meu nobre!
O meu Brasil, se potência, jamais será um Portugal. Ainda há muito o que aprender a pátria filha com a pátria mãe.

Um abraço brasileiro, e parabéns pelos artigos.

Nuno Castelo-Branco disse...

vivem em Portugal, 150.000 portugueses do Brasil. É este, o nome que dou aos brasileiros. Chegou a altura de olharmos em frente e sem complexos ou embaraços, pedir a necessária ajuda a quem é hoje, uma das nossas razões de ser. O Brasil não a negará, até pelo o que tal significará em todo o mundo.
É uma miragem, ou utopia, como queiram. Mas não consigo vislumbrar outra hipótese.

Blaise disse...

Texto francamente sem sentido.

O Brasil, em tudo o que tem de inovador e positivo, nada deve a Portugal.

Dentre as potencias colonizadoras, Portugal foi a que menos deixou heranças positivas e aproveitáveis.

A Inglaterra fez barbaridades, mas deixou a língua inglesa, universidades, o espírito empreendedor, a idéia de livre-comércio, de liberalismo político e econômico.

A Espanha fez barbaridades, mas deixou um riquíssimo legado arquitetônico e cultural, além de universidades. E a imprensa também. E manufaturas.

Portugal deixou algumas cidades pobres e atrasadas, uma arquitetura de caixotes brancos (sem sombra da grandiosidade dos edifícios construidos pelos castelhanos em nossos vizinhos) e....mais nada. Nem uma universidade. Nem a imprensa. E impediu a instalação de manufaturas. Impediu tudo.

Como falar de espírito empreendedor português? Podemos falar, tão somente, de espírito destruidor, inibidor, que faz tudo para incapacitar e tolher. Os portugueses não foram nem são empreendedores (a comparação com os judeus, feita por um leitor, é ridícula - há duas centenas de judeus no Brasil e dezenas de milhões de descendentes de portugueses). O autor do texto que encontre algum termo melhor para descreve-los.

Portugal não é, ao contrário do que diz o texto, referência para nada no Brasil desde pelo menos a metade do século XIX. Na literatura, desde pelo menos José de Alencar - Machado de Assis foi leitor dos clássicos ingleses e franceses e crítico acerbo e desdenhoso de Eça de Queirós. O citado Euclides não cita nenhum português.

Por isto, Portugal não dá, ao contrário do que afirma o autor do texto, nenhuma visibilidade e nenhuma capacidade de o Brasil ver-se para além da América do Sul. Porque, como todos sabem, não é propriamente o melhor representante deste conceito chamado Europa.

E o Brasil dá muito mais valor aos demais países europeus porque tais países são, não resta a menor dúvida, muito mais interessantes e relevantes em termos culturais. A cultura portuguesa é pobre e fraca. É por isso que não interessa, não só a nós, mas a ninguém. É por isso que há um permamente sentimento, em todos os brasileiros, dos mais cultos aos menos cultos, de que a herança que temos não presta.

Leis? Instituições? Nada disso que há no Brasil contemporâneo tem influência portuguesa marcante. A idéia de tripartição de poderes, os nossos Códigos, a Constituição Federal, nada disos guarda a menor influência lusitana.

E isso nada tem a ver com descendentes de alemães, italianos ou outros povos. Tem a ver com a miséria cultural lusitana. Tem a ver com o pouco, com o quase nada de aproveitável, que deixaram aqui.

Lamento, mas não há nenhum partido anti-português no Brasil. Portugal é algo tão fraco, tão pequeno, tão pouco relevante, que nem chega a constituir um problema.

E o fato de que um blog supostamente ligado à cultura dedique um texto a fato envolvendo uma atriz de novelas decadente - fato este que, no Brasil, não teve a menor divulgação - e um texto tão básico e sem informações, só nos dá razão.

O Brasil, a ser uma potência, o será APESAR do que os portugueses deixaram aqui.

Não, sim, devemos nada a Portugal.

Ah, e é ridículo e deprimente ver o autor do texto atacar brasileiros de origens não-lusas. Não deixe que o típico complexo de inferioridade de portugueses diante de outros povos europeus (alemães, italianos e outros que emigraram para o Brasil) turve ainda mais as suas idéias. Não jogue em cima de nós as suas frustrações.

Enfim, desconfio que este comentário não será publicado. Mesmo assim, o envio.

Combustões disse...

O Blaise faz-me um favor que só me exige rasgados agradecimentos, pois coloca, enumerando-os, todos os argumentos que estimei característicos de um cerro Brasil que não quer ser Brasil. Não tenho por hábito polemizar com leitores, em virtude da vantagem que me assiste Não o farei. Outros que respondam. Uma pergunta inocente. O Blaise é descendente de imigrantes e não de portugueses ?

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois é, o nosso amigo "blasé", o senhor Blaise, desdenha dos portugueses. está no seu direito, embora há que advertir que essa troça ou rejeição, só prejudica o Brasil. Não pense ele que aqui em Portugal não temos quem diga exactamente o mesmo dos seus, querendo "fazer-se passar" por estrangeirado.
Diz o Blaise que a nossa língua e cultura são miseráveis: não parece, dado o português que escreve e que confirma a vitalidade dessa língua e cultura que diz rejeitar. Até o seu pessimismo são bem portugueses.
Fala do património arquitectónico medíocre, talvez sonhando com o que aqui temos na Europa, Portugal inclído. O Blaise presta um mau serviço ao Brasil, porque se esquece do património único e incomparável das suas cidades mais antigas e do esplendor da arte, já tropicalizada, do Brasil colónia do século XVIII. O Blaise cospe na memória do Aleijadinho e daqueles que construíram aquilo que multidões de turistas querem ver no nordeste. Há ainda que dizer que a sanha destruidora pós-indepenência, ou melhor, depois da república, liquidou com imensas áreas urbanas, entre as quais destaca-se o Rio de Janeiro. pouco ou nenhum respeito pelo que era seu - e sempre o foi -, ânsia de imitar o que mais "kitsch" a Europa produzia. Quanto a nada termos deixado, desde a imprensa a Academias, o Blaise está a falar de graça. Atenda apenas ao reinado do seu primeiro soberano de facto, D. João VI e conclua... A Biblioteca Real portuguesa, inatcta e uma das mais valiosas do mundo, deixada ao Brasil. Nem vale a pena fazer a lista de beneficências, desde o Banco, à imprensa nacional e mais importante que tudo, a organização do Estado que lhe permitiu uma tranquila transição para a independência. É pouco? Talvez, mas compare com o que vê à volta. A Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia ou Venezuela comparam-se ao Brasil em quê? No mundo têm algum tipo de relevância comparada convosco? Não! A menos que dado o actual pendor indígena, prefira o Paraguai.

Não estou nada preocupado com as palavras do Blaise, sinceramente! Ainda há uns dias, num congresso sobre a diáspora brasileira no mundo, a conclusão dizia apenas isto: o país onde melhor se integram e onde querem para sempre ficar - e são desde já bem-vindos - é... Portugal! Pois é, as velhas raízes que o Blaise pretende inutilmente cortar.
Um simples olhar para o imenso espaço físico que o Brasil ocupa na América, faz-nos sorrir: despedaçámos Tordesilhas, ocupámos o sertão e deixámos apenas o único país que sobrevivendo ao período colonial, conseguiu manter-se unido. Compare com o desastre da "descolonização" espanhola e até inglesa, com a secessão violenta dos EUA, Argentina, México, etc. Poupou-se o Brasil a isso e da melhor forma. É certo que o Brasil acabou por anexar o Acre, embora tivesse perdido a Banda Oriental (o Uruguai) que Portugal lhe deixou. Paciência.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Se o post for longo demais, não o publique. Vou enviá-lo em vários pedaços.

“Texto francamente sem sentido.”

É o risco de se escrever posts sem meter uma fotografia ou um desenho. Há quem não chegue lá.

“O Brasil, em tudo o que tem de inovador e positivo, nada deve a Portugal.”

Assim escreveu o juiz supremo. Antes de estudar o caso e o debater, já dá a sentença.

“Dentre as potencias colonizadoras, Portugal foi a que menos deixou heranças positivas e aproveitáveis.”

Olhe para os vizinhos do Brasil: das Guianas Francesa, Holandesa e Inglesa à gloriosa Bolívia. Acho que o menino ainda não viu que o Brasil não pode ser comparado com os EUA ou o Canadá, ou mesmo com o Uruguai, a Argentina e o Chile. A história da agricultura brasileira prova a dificuldade de se desenvolver uma civilização nos trópicos a partir de uma matriz greco-romana-judaico-cristã e com técnicas produtivas importadas de outras latitudes, coisa que só o português conseguiu.

“A Inglaterra fez barbaridades, mas deixou a língua inglesa, universidades, o espírito empreendedor, a idéia de livre-comércio, de liberalismo político e econômico.”

Sim, a Jamaica, o Zimbabué e a Guiana são disso exemplos. O rapaz prova somente a sua aptidão por generalizações com estes disparates.

“A Espanha fez barbaridades, mas deixou um riquíssimo legado arquitetônico e cultural, além de universidades. E a imprensa também. E manufaturas.”

É só olhar para a pujança dos países de fala castelhana: é de se morrer de inveja. E ele, que é tão “anglo-saxão”, deveria pensar no legado arquitectónico inglês na América do Norte quando fala nisso. O Tocqueville dedicou muitas páginas à questão. Quanto às manufacturas e à imprensa, ele não deve sequer ter lido o clássico “D. João VI no Brasil”, livro introdutório para tal pesquisa, quanto mais conhecer a história da indústria naval brasileira, da metalurgia e da indústria têxtil. Só repete o que dizem os manuais escolares.

“Portugal deixou algumas cidades pobres e atrasadas, uma arquitetura de caixotes brancos (sem sombra da grandiosidade dos edifícios construidos pelos castelhanos em nossos vizinhos) e....mais nada. Nem uma universidade. Nem a imprensa. E impediu a instalação de manufaturas. Impediu tudo.”

Repetição ad nauseam do que já foi escrito, nada mais. O rapaz só sabe fazer afirmações categóricas sem conexão com os factos. Não deve ser habitante de Minas Gerais ou da Bahia para falar tão cheio de certeza acerca das cidades pobres e atrasadas e dos caixotes brancos. Quanto aos chamados “caixotes brancos”, nunca deve ter pensado no tipo de construção que predomina no Mediterrâneo e entre os árabes, que sabiam alguma coisa acerca de como se construir e viver em terras quentes. Deve ser como o governador da Califórnia, que construiu uma casa tirolesa naquela terra escaldante! O sol afecta a cabecinha dessa gente…
O pior é a injustiça com o Aleijadinho! Depois do que fez pela nação, foi esquecido pelo seu conterrâneo moderninho, o “Atrasadinho”.

Carlos Velasco disse...

“Como falar de espírito empreendedor português? Podemos falar, tão somente, de espírito destruidor, inibidor, que faz tudo para incapacitar e tolher. Os portugueses não foram nem são empreendedores (a comparação com os judeus, feita por um leitor, é ridícula - há duas centenas de judeus no Brasil e dezenas de milhões de descendentes de portugueses). O autor do texto que encontre algum termo melhor para descreve-los.”

Falar de falta de espírito empreendedor de um povo numericamente exíguo e detentor do território mais pobre da Europa, que apesar disso criou uma nação continente nas Américas e dominou o comércio oceânico do oriente por cento e cinquenta anos, para além de ser uma das grandes potências europeias por trezentos, é insanidade, ou, como chama o grande Olavo de Carvalho, “paralaxe cognitiva”. Isso já é uma questão clínica e não intelectual.
“Duzentos judeus”? Bom, judeus praticantes são duzentos mil no Brasil. Entre alguns nomes famosos da indústria e das finanças, cito os Steinbruch, os Klabin e os Safra, mas há muito mais, e isso só no alto mundo empresarial. Também fiquei curioso para saber o que faz o rapaz para falar de “empreendedorismo” com tanta intimidade. Será por auto-conhecimento? Ou será por ter lido disso nos livros de auto-ajuda para candidatos a “Mr. Gecko”?

“Portugal não é, ao contrário do que diz o texto, referência para nada no Brasil desde pelo menos a metade do século XIX. Na literatura, desde pelo menos José de Alencar - Machado de Assis foi leitor dos clássicos ingleses e franceses e crítico acerbo e desdenhoso de Eça de Queirós. O citado Euclides não cita nenhum português.”

Bom, o Portugal Contemporâneo não é realmente grande referência, da mesma forma que o Brasil Contemporâneo, afinal, fomos todos tomados pela Síndrome de Papagaio. Quanto ao Portugal do passado, do qual nasceram estes dois filhos pródigos, foi sempre uma referência para a elite mais erudita do Brasil. É só pensar em Ruy Barbosa, no Barão do Rio Branco, em José Bonifácio, em Gilberto Freyre, em Mário Ferreira dos Santos, em Gustavo Barroso e uma lista enorme de intelectuais que hoje poucos universitários brasileiros conhecem e menos ainda conseguem compreender. Quanto ao que o Machado pensava de Eça, que sempre vendeu mais que o Machado – que considero sem dúvida um grande – ele esquece que o Eça era, no seu estilo, francês.

“Por isto, Portugal não dá, ao contrário do que afirma o autor do texto, nenhuma visibilidade e nenhuma capacidade de o Brasil ver-se para além da América do Sul. Porque, como todos sabem, não é propriamente o melhor representante deste conceito chamado Europa.”

Isso explica muito a disposição provinciana que destruiu tanto a cultura em Portugal como no Brasil. Essa fixação por tentarmos nos tornar “europeus”, típica desse complexo imbecil que infelizmente estraga tanta gente em Portugal e no Brasil. É o complexo de inferioridade de quem vai aos bairros turísticos de Miami e Londres e se sente diminuído; é a auto-colonização mental no seu estado puro, representada bem muito por aquela frase: “Aquilo é uma maravilha! As ruas ali são limpas e os transportes públicos são pontuais”. E depois riem do coitado do interior que quando chega à capital pela primeira vez fica deslumbrado com os arranha-céus.

Carlos Velasco disse...

“E o Brasil dá muito mais valor aos demais países europeus porque tais países são, não resta a menor dúvida, muito mais interessantes e relevantes em termos culturais. A cultura portuguesa é pobre e fraca. É por isso que não interessa, não só a nós, mas a ninguém. É por isso que há um permamente sentimento, em todos os brasileiros, dos mais cultos aos menos cultos, de que a herança que temos não presta.”

Ele agora fala por todos os brasileiros? Só se agora for o Führer - ou o Duce - do Brasil! Eu garanto que não. Ao menos entre os que conheci - e nos quais me incluo - isso não é verdade. Este tipo de sentimento é mais comum entre os novos-ricos semi-letrados que fazem compras em Paris e Miami e acham que o Brasil não é “civilizado” por causa daquela “massa pobre mulata”, descamisada e de chinelos, que encara como o pior legado da colonização portuguesa. Já ouvi muito comentário racista em relação ao “problema do Brasil” desse tipo de gente.
Pensam eles de facto, nas suas certezas gimnasianas pós-modernas, que “a cultura portuguesa é pobre e fraca”. Nem imaginam o que pensava Leibniz da cultura filosófica portuguesa tardo-escolástica, ou melhor, nem sabem quem ele foi ou o que é a escolástica, ouviram falar…

“Leis? Instituições? Nada disso que há no Brasil contemporâneo tem influência portuguesa marcante. A idéia de tripartição de poderes, os nossos Códigos, a Constituição Federal, nada disos guarda a menor influência lusitana.”

O rapaz, sem querer, mostra o porquê do Brasil de hoje ser uma república das bananas; importou ideias sem pensar nelas. Se carrega o rótulo “made in …”, é bom. Esquece que nos tempos em que o Brasil foi um império, em vários sentidos, a sua classe política havia se formado em Coimbra, e que a ideia de tripartição de poderes, adoptada na república, foi um desastre. Melhor foi a fórmula dos quatro poderes de Constant que a elite de formação coimbrã adaptou às circunstâncias brasileiras. Mas o rapaz já enviesou a questão ao esquecer que essas fórmulas são simplesmente o resultado do estudo do direito medieval, que melhor sobreviveu na Inglaterra do que na Europa varrida pelo absolutismo, pelos juristas franceses, que conheceram melhor que outros o mal do absolutismo. A divisão de poderes existiu na idade média, em especial na Península ibérica, mas só foi formulada como “teoria fechada” quando já quase havia sido destruída pelo absolutismo, uma “importação” - por via francesa, italiana e austríaca - que muito mal causou aos países peninsulares.

“E isso nada tem a ver com descendentes de alemães, italianos ou outros povos. Tem a ver com a miséria cultural lusitana. Tem a ver com o pouco, com o quase nada de aproveitável, que deixaram aqui.”

Nada de aproveitável? Isso inclui a população mestiça e o território? Se calhar devíamos ter exterminado os índios e adoptado a eugenia no Brasil. Imigração? Só poderiam entrar arianos… e nada de ideias de “povos atrasados”.

“Lamento, mas não há nenhum partido anti-português no Brasil. Portugal é algo tão fraco, tão pequeno, tão pouco relevante, que nem chega a constituir um problema.”

É verdade que não há um partido anti-português no Brasil, isso foi somente uma hipérbole que um conhecedor de história sabe que é também uma alusão à época da secessão do Reino Unido e do primeiro reinado. O tempora! O mores! De resto, Portugal é tão fraco, tão pequeno, tão pouco relevante, que o rapaz escreveu este enorme post para o provar! Acho que provou a sua insignificância, mas me deixou muito chateado por ser mais um brasileiro que me envergonha perante o mundo. Depois ninguém acredita quando digo que nós não somos todos como o presidente...

Carlos Velasco disse...

“E o fato de que um blog supostamente ligado à cultura dedique um texto a fato envolvendo uma atriz de novelas decadente - fato este que, no Brasil, não teve a menor divulgação - e um texto tão básico e sem informações, só nos dá razão.”

O facto foi tão pouco divulgado que a Folha de São Paulo até fez uma “enquete”. Bom, mas o facto é realmente irrelevante em si. Só teve proveito por ser um pretexto para escrever acerca de gente como o rapaz, que não é somente um, mas uma “multidão”. Ele é realmente o homem massa! Será que é por isso que até escreve de si no plural? (só nos dá razão…)

“O Brasil, a ser uma potência, o será APESAR do que os portugueses deixaram aqui.”

Novamente! Só deixaram um território enorme - que até chegava ao Prata na altura - e uma massa populacional que o pôde ocupar. Se não fosse isso, o Brasil não teria sobrevivido à república, ou melhor, às repúblicas, afinal, é preciso ser um gigante para não cair com tanto desgoverno. Deixaram os portugueses um estado que evitou a fragmentação do território em várias republiquetas, uma elite preparada para os desafios que poderiam destruir a nação, uma cultura orgulhosa e uma integração racial exemplar, evitando o que se passou no Haiti ou no mundo anglo-saxão.

“Não, sim, devemos nada a Portugal.”

Ao Portugal de hoje, não. Ao do passado, quase tudo. Negar isso é fazer de conta que o Brasil já existia antes dos portugueses.

“Ah, e é ridículo e deprimente ver o autor do texto atacar brasileiros de origens não-lusas. Não deixe que o típico complexo de inferioridade de portugueses diante de outros povos europeus (alemães, italianos e outros que emigraram para o Brasil) turve ainda mais as suas idéias. Não jogue em cima de nós as suas frustrações.”

Complexo de inferioridade? Acho que isso é mais comum em quem têm avós que vieram com passagem paga trabalhar nas fazendas de café das grandes famílias luso-brasileiras que nos descendentes dos que conquistaram aquele continente lutando contra castelhanos, franceses, holandeses e ingleses. Digo que esses netos complexados daquela brava gente, que veio para trabalhar duro e ajudou a construir o Brasil, envergonham os seus antepassados, que jamais aceitariam a ingratidão com a terra que os acolheu de braços abertos, ainda mais se olharmos para a História do Século XX!
Isso me lembra uma estória que presenciei. Estava a esvaziar algumas garrafas de Jack Daniels com dois amigos americanos. Um de Nova Iorque, esquerdista e descendente de italianos e irlandeses, o outro sulista, conservador e de família anglo-saxã estabelecida lá há séculos. A conversa era política e enveredou pelo tema do multiculturalismo, entrando no campo da discussão do carácter anglo-saxão da América. Chegou a um ponto que já era pessoal, com acusações ao sulista de arrogância e “medo do outro”.
O sulista não teve dúvidas e disparou algo que foi mais ou menos assim:

- Se o senhor não está contente com o carácter anglo-saxão dos EUA, volte para a terra dos seus antepassados. Aqui você é hóspede e na verdade ninguém te quis, ao contrário dos africanos, que trouxemos contra a vontade deles e têm todo o direito de aqui estar, ou dos nobres índios de quem tomamos à força essa terra noutros tempos. Vocês entraram contra a vontade do povo americano só porquê o governo federal, do qual não gostamos, ficou ao lado de quem queria mão-de-obra barata, tal e qual faz hoje com os mexicanos. Nós somos os donos desta terra. Quantos dos seus antepassados lutaram contra os franceses ou na guerra de independência? Quantos vieram no Mayflower?

Carlos Velasco disse...

Bom, na hora pensei na impossibilidade de tal conversa no Brasil e na sabedoria do modo de colonização português. Tinha que dar razão ao sulista, mas o contexto mental em que vivem os americanos, ainda que seja um grande povo, me é repulsivo neste ponto. Italianos e alemães chegaram e os seus descendentes nunca foram ítalo-brasileiros ou teuto-brasileiros, simplesmente brasileiros. É uma vergonha que alguns hoje cuspam no prato onde comeram, mas traidores há em todas as raças. Todos têm os seus Calabares.

“Enfim, desconfio que este comentário não será publicado. Mesmo assim, o envio.”

Se o comentário não fosse publicado, era um favor ao menino. Publicado, só demonstra a estupidez que está na base da lusofobia desta facção insignificante dos habitantes do Brasil. Insignificante não em números, mas em valor. Não por acaso escreve o sujeito sob anonimato. Só se sente confiante no seu meio: a multidão.

Portfolio disse...

Antes de comentar, gostaria de me situar. Sou brasileirissima, obviamente porque nasci neste país esplendoroso, apesar de inumeráveis mazelas, que certamente sanaremos ao longo do tempo. A história brasileira está se fazendo lenta e solidamente. Solidamente porque lenta.
Meus antepassados italianos se casaram com os brasileiros que já viviam aqui por séculos - brasileiros descendentes de portugueses. Assim, trago ecos de duas culturas e existe em mim ternuras por hábitos tanto italianos quanto portugueses, o que, acho, me permite opinar isentamente.
Se o Brasil tem hoje algum progresso, o tem apesar de Portugal e graças aos imigrantes de todas as raças, inclusive aos abençoados imigrantes portugueses que aqui chegaram desde o final do século 19 e ao longo do século 20 para trabalhar e construir. São os portugueses do povo, graças de Deus. A "nobreza lusitana" que chegou aqui no Descobrimento e aqui imperou por quatro séculos só espoliou, nada mais.
É a mistura de várias culturas, uma influenciando a outra, que está construindo este país, e o tem construindo desde 1900.
Quanto ao estilo português puro, basta ver que,apesar de tudo que a nobreza lusa nos tirou ao longo dos séculos, não conseguiu construir até hoje, aí no ultramar um Portugal sólido, pujante e progressista.
Já no Brasil, as várias raças que aqui aportaram e trocaram culturas e hábitos, que se abriram umas às outras e trabalharam juntas, cultuando a diversidade e criando um mundo novo, ventilado, arejado, despindo-se do velho e inútil...já no Brasil, uma nação lentamente caminha. Neste ponto, Caminha estava certo – aqui, em se plantando tudo dá, embora a colheita exija um tempo a mais para acontecer.

anna disse...

Brasil é Brasil. Portugal é Portugal. Dois países completamente diferentes separados pelo mesmo idioma. Mesmo idioma? Tenho dúvidas.
Só quem não conhece o Brasil, de norte a sul, de leste a oeste, tem a ingenuidade de achar que o Brasil “é um imenso Portugal”. Não é.
Antes de tudo, Calabar para nós, brasileiros, é um herói.
E Joaquim Silvério dos Reis, um traidor. E, óbvio, o controverso Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é tipd como a expressão máxima da brasilidade. Precisa dizer mais?
Bem, se isto não bastasse, aqui vão mais outros dados: a parte do Brasil que mais se desenvolveu foi a que esteve sob os cuidados dos imigrantes italianos, alemães, franceses, japoneses, ucranianos, poloneses, espanhõis, gregos, russos, etc... O norte e o nordeste do Brasil, que não receberam levas significativas de imigrantes permanecem no atraso e na ignorância herdados dos “colonizadores” portugueses que, como legítimos predadores, tudo nos tiraram e nada nos legaram.
E, além do mais, nem temos tanto assim o mesmo idioma. Vocês, portugueses, sabem o que significam as palavras (não são gírias): sashimi, pierogi, chimia, cuque, schineken (chineque), paella, calzone, pessanka, tchau, bombacha, pilcho, açai, aipim, girimum, e milhares de outros? Poisé, qualquer criança brasileira sabe. Então, Brasil é outro país, falando outra lingua neo-latina, que não é o português de Portugal, para horror dos puristas. Que, em termos de idioma, são puristas por falta de informação, porque toda lingua é uma entidade (viva e mutável) que se transforma ao longo do tempo.

y disse...

Maitê Proença é bastante conhecida aqui no Brasil. Isto não significa que seja uma grande atriz, ou um nome de peso nas artes cênicas brasileiras. Ela não tem, tampouco, presença marcante na chamada intelectualidade brasileira.

Aqui no Brasil ninguém se importa muito com o que ela faz ou diz, embora ela seja bem conhecida. Existe em todos os países do mundo gente medíocre, mas popular, como Maitê. No programa “Saia Justa”, da mesma forma, nenhuma daquelas apresentadoras é jornalista de peso. Todas elas são conhecidas,não pelo talento ou pela inteligência, mas porque fazem um marketing pesado em torno de suas próprias figuras se acreditam talentosas, levando a grande massa a acreditar que elas o sejam (talentosas) efetivamente. Mas, um observador mais preparado e atento logo perceberá que embaixo do verniz de cultura delas não há nada ou quase nada de substancial. As grandes jornalistas do Brasil estão escrevendo livros sérios, estão publicando artigos em jornais importantes do Brasil. Nenhuma jornalista de renome, que tem um nome a zelar se põe a falar bobagens ou frases de efeito no “Saia Justa”

Este episódio do video serviu bem para uma coisa:
mostrar quem se preocupa com coisas importantes e quem se preocupa com ninharias.

Serviu também para que inseguros e recalcados dos dois países se revelassem, insultando uns aos outros, nos blogs tamto do Brasil, quanto de Portugal.

Que tal hastearmos a bandeira branca e fazermos uma reflexão madura e adulta sobre nossos países, pensarmos sobre defeitos e qualidades das duas nações?

Quem sabe assim chegaremos a algum lugar.

Marco Taborda

Planiciano disse...

É triste quando o complexo do vira-lata tem este desfecho... É uma vergonha.