13 outubro 2009

A moda da suástica



Aqui já por duas ou três vezes aludi à presença da suástica nesta boníssima terra. Hoje, ao sair do supermercado, dei de caras com o fulano que a foto testemunha. Logo depois, ao chegar a casa, abri a tv. e segui o tempo de antena do recém constituído Partido Novas Políticas, de forte feição monárquica, tradicionalista e muito céptico em relação ao Ocidente. O símbolo, que entre nós poderia evocar preocupações ambientalistas é, sim, a suástica budista. No budismo, o verde representa vigor e sabedoria e está relacionado com as faculdades superiores, o amarelo está associado à libertação e renúncia dos sentidos e a flor de lótus que desponta da suástica representa o progresso da alma elevando-se da lama do materialismo. Quanto à suástica, diz-se conter todo o pensamento do Iluminado.
No domingo, nada tendo para fazer, desci e fui à piscina aqui do prédio. Uma das empregadas da limpeza chamou-me e disse-me que o filho, um miúdo de seis ou sete anos, fizera uma bela tatuagem nas costas. Os thais fazem-nas por tradição e estes talismãs pretendem imunizar os seus portadores contra maus espíritos. Na altura estava comigo um vizinho judeu que aqui vive há poucos meses e trabalha para uma empresa israelita. Quando a criança retirou, felicíssima, a t-shirt e mostrou com orgulho a enorme suástica, o Joseph mudou de cor e ficou atónito. Tive de lhe explicar que nada tinha a ver com aquilo que quase o assombrara. Lá se recompôs e até sorriu. Outras terras, outras gentes.
Miguel Castelo Branco

3 comentários:

Carlos disse...

Caro Amigo:

Visito esta sua Casa quase diariamente, e sempre com agrado. Faz bem ler um Português que, de terras distantes, ainda tem orgulho na nossa Pátria. Bem-haja.

Contudo, quanto à foto do fulano, creio que devo notar que ele não ostenta a suástica budista, mas a bandeira do partido nazi alemão, com as suas três cores sagradas (que muitas religiões adoptam, e a Igreja Católica também respeita, dando batinas negras aos padres, vermelho aos cardeais e branco ao Papa).

Repare que não tenho nada contra ou a favor da dita bandeira, ao contrário dos histéricos do politicamente correcto (quase todos os regimes praticaram atrocidades, e a maior parte bem piores do que os nazis).

«O mundo criou uma mentalidade mórbida, à sombra da cruz vermelha e negra», escrevia o Papa João XXIII, expressando a paranóia que se criou em relação a esta época da História, paranóia tendente a esconder barbaridades bem mais recentes.

Pois se o fulano gosta de passear a bandeira nazi, e ninguém o impede, com falsos moralismos ou novos dogmas absurdos, isso quer dizer que na Tailândia se vive em maior liberdade do que nas ditas «democracias» ocidentais. E ainda bem - para a Tailândia.

Cumprimentos.

Combustões disse...

Carlos
Para eles [estes], a suástica não tem outro valor que o de um símbolo religioso. As camisolas devem ter sido produzidas por alguém que as retirou sem censura de um contexto diferente. Os japoneses, há uns anos, decidiram retirar a suástica dos modelos de aviões em plástico que os jovens gostam de montar. A razão invocada não foi de natureza política, mas religiosa. Para as autoridades nipónicas, um avião de guerra não podia exibir um símbolo religioso.

Mariana disse...

Excelente o comentário do Marcos. De fato o rapaz leva no peito a suástica nazista e nao a budista, visto que a suástica budista "gira" no sentido oposto. Mas gostaria de acrescentar que o uso de simbolos nao pode ser tao desconsiderado quanto o foi no seu comentário, nem no post. Moro na Alemanha e aqui esse simbolo é realmente lavado em conta, respeitado e defendido, muitas vezes com violencia, pois para o Hitler e seus "seguidores" a suástica é um simbolo religioso também.