16 setembro 2009

Um pouco de autarcia não faz mal a ninguém


น้ำผึ้งสวนจิตลัดดา = Nam Pheun Suan Chithlada quer dizer em português mel do pomar do palácio real de Chithlada. Durante séculos, a apicultura foi uma das mais nobres actividades profissionais do Sião. Os apicultores eram tão respeitados que lhes era dispensada a prestação de quaisquer corveias. Porém, em finais do século XIX, com a invasão de produtos estrangeiros - que também desbarataram as produções locais de sedas e tecidos, ourivesaria, cerâmica e utensílios - o mel desapareceu dos mercados. A Índia britânica, as Índias Orientais Holandesas e a Indochina Francesa encontraram no Sião um frágil concorrente, levando os ofícios à falência. O mel, que fora um dos principais condimentos gastronómicos da cozinha thai, passou a ser produto raro e inacessível.
Nos anos quarenta, o actual Rei criou nos terrenos adjacentes ao palácio de Chithlada uma exploração agrícola-piloto e aí desenvolveu ao longo de décadas - em estrito espírito cooperativo - a sua teoria económica da auto-suficiência, hoje gabada por todos, porquanto não estribada no proteccionismo. A experiência foi bem sucedida e aplicada um pouco por todo o país.
Hoje, para quem quiser o mel barato e sem outra "marca" que as armas reais - símbolo de qualidade - vai ao bazar e compra uma bisnaga de Suan Chithlada (0,60 Euro).
É assim que se protege o povo, se dá trabalho aos produtores e se garante a liberdade económica de um país. Se nos lembrarmos de Portugal, fazia falta um Pomar Chithlada em Lisboa. Só de pensar que as prateleiras dos mercados portugueses estão cheias de lixo espanhol, francês e holandês dá-me uma dor de coração. Por cada prateleira de produtos estrangeiros, há uma exploração portuguesa em risco.
Miguel Castelo Branco

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois é, mas este tipo de discurso é logo aproveitado por aqueles que negoceiam os proventos com os estrangeiros. Organizam logo uma campanha a falar de obscurantismo, "outra senhor" e claro, "fá-sismo".

Com o passar dos anos, a falta de petróleo e a liquidação do "estilo de vida" do século XX, lá voltarão as hortas caseiras, a criação de poedeiras de ovos, os queijos de marca familiar, etc. Enfim, aquilo que o Telles anda a dizer há 50 anos.

Deolinda disse...

(sem ironia): É antipatriótico comprar o mais barato? :)