03 setembro 2009

A loucura, outra vez


Parece que a campanha eleitoral se inicia por terras de Portugal. Digo parece sem afectação simulada porque não sei, já não me interessa nem a política, nem os partidos nem as caras que continuam envolvidas, as que entretanto chegaram e as que partiram. Contristado, reparo que os ânimos blogosféricos - com as suas fixações, cheias de injustiça e quase fanatismo - aprestam os sacos de pedras para mais uma infeliz jornada de insultos, lavagem de roupa suja e tudo o que rebaixa, avilta e degrada a democracia de furores latinos e demagogia que teima em não se corrigir. Os portugueses, uma vez mais, agitarão bandeiras, as oposições prometerão que "é agora", que "Portugal vai mudar", que "assim não podemos continuar", que o "país presisa de uma nova política". Isto vai durar duas semanas. Depois, o novo governo - qualquer que seja - vai revelar a gravidade da situação, pedir sacrifícios, culpabilizar os anteriores governantes. Tem sido assim desde 1976. É o Almanaque Perpétuo desta partidocracia sem emenda. Sou, para todos os efeitos, rigorosamente apolítico. Não quero, não gosto, não me interessa.


Yes, Sir (Zarah Leander)

8 comentários:

Pável Rodrigues disse...

Pois é. Mas depois disto, como dizer pior de Portugal?
Só com o patrocínio da "camarada" Carolina.
Só quem não se sente..."Sou, para todos os efeitos, rigorosamente apolítico. Não quero, não gosto, não me interessa".

Se Portugal não lhe diz nada, então desapareça que não faz falta.

Combustões disse...

mmm, creio que não compreendeu o que escrevi. Leia outra vez.

Pável Rodrigues disse...

Manhosa e retorcida resposta de professor!
Mas olhe que lá diz o povo (que tanto despreza):
-Quem sabe faz, quem não sabe ensina.

Combustões disse...

Olhe Pável:
Nunca desprezei o povo, mas a canalha, coisas absolutamente distintas.Depois, a sua observação a propósito de quem ensina (e sabe) lembra-me a tal "universidade da vida" que nunca deu outros frutos que o ódio a tudo o que não se compreende.Como não o conheço, não o vou integrar nessa categoria.

Pável Rodrigues disse...

Pois é. Mas a canalha não se distingue pelo cheiro...
"Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas
E todos estão contentes de se saberem sacanas"...
E depois:
"Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos."

Combustões disse...

Já não sei o que lhe diga. O Pável começa com uma afirmação absolutamente fora do contexto, depois confunde o poder da rua com a democracia. Já alguma vez aqui viu o mais pequeno reparo à democracia ? Usei a expressão "democracia latina" de Sartori para nela identificar a perversão da soberania popular. Se gosta do Berlusconi, ali está tudo o que queria identificar.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Apesar da banalidade "do que se enxerga"(TV e Jornais), e isso é proposital, o jogo de poder actual é muito interessante, ou melhor, continua como sempre foi, mas mais intenso. A soberania do país está prestes a desaparecer, levando junto o que resta das liberdades tradicionais.
Como se dizia antigamente na minha terrinha de nascimento(hoje há o politicamente correcto), a coisa tá preta...
A actual sucessão rápida e em aceleração de factos estarrecedores em Portugal, e no mundo, lembra as contracções de um parto, e parece que será gerada uma serpente.
Bella, horrida bella,...

P.S: A Tailândia também é um alvo a abater para os senhores por detrás do desaparecimento de Portugal.

Pável Rodrigues disse...

Há dias encontrei o seu Blog por acaso quando pesquisava umas coisas sobre a Tailândia. Confesso que fiquei agradado com o que li. Mas relativamente a este Post, não pude deixar de me insurgir contra a estafada atitude de quem parece não querer sujar as maõs - "Sou, para todos os efeitos, rigorosamente apolítico. Não quero, não gosto, não me interessa."
Como se isso de ser apolítico fosse possível e ainda por cima, numa altura em que exactamente: "A soberania do país está prestes a desaparecer, levando junto o que resta das liberdades tradicionais."
Acredite que se por cá nada mudar, Berlusconi ainda seria um mal menor.