20 setembro 2009

Golpes de Estado que não metem medo a ninguém

Passamos a vida a gabar golpes de Estado e governos militares do passado: a passagem do Rubicão por Caio Júlio, o 18 de Brumário de Bonaparte, a Gloriosa Revolução de 1688, o início da "revolução" de 1820, mas quando nos aproximamos da época presente, a mais pequena alusão a um fenómeno que existe desde sempre gela-nos o raciocínio. É o grande tabú, pois a regime algum se pode dizer que um dia morrerá.
Aqui evocou-se ontem o golpe de Estado que em 2006 encerrou a era Thaksin. Por maior respeito que possamos ter pelo "civilismo" e pela ordem constitucional, há momentos excepcionais em que às Forças Armadas é pedido protagonismo que impeça a manutenção de regimes que perderam o respeito pelos cidadãos e transformaram-se em agentes de divisão e conflito, quando não em verdadeiras escolas de crime que atentam contra o Bem Comum. Há golpes de Estado higiénicos, como há golpes de Estado nefastos. Lembro quão benéficos foram os golpes de Estado turco de 1982, o golpe de Estado de De Gaulle em 1958 e, até, alguns golpes sul-americanos que impediram a consumação da castrização então em crescendo.
Contudo, há golpes de Estado absolutamente nocivos, como o dos Coronéis Gregos de 1967 - que destruiu a monarquia constitucional - o de Jaruzelsky de 1981 e todos quantos a CIA concebeu no Sudeste-Asiático ao longo da década de 60. Ou seja, golpes de Estado que cumpram objectivos de uma potência estrangeira, enfraquecendo o Estado, ofendendo os objectivos permanentes da defesa da ordem pública, da paz social e da integridade territorial são condenáveis, pois contrariam os fundamentos teórico e prático que explicam a existência e necessidade de um Exército. Golpes de Estado que visem restabelecer o império da lei e da justiça, as liberdades da cidadania (que não devem ser limitadas aos direitos políticos de participação) e a unidade do Estado são, em suma, o último argumento do interesse nacional. Neste particular, as Forças Armadas alemãs teriam chamado a si o supremo interesse nacional se tivesse vencido o golpe de Estado contra Hitler em 1944. Aqui, o golpe de 2006 foi a ultima ratio e, como se vê, foi absolutamente indispensável para encerrar um sombrio período.


กรมหลวงนราธิวาสราชนครินทร์ = Krom Luang na Naratiwad Rajchana Karin

3 comentários:

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Este Thaksin deve com certeza estar ligado ao George Soros, o maior golpista das últimas décadas. Ainda não pude investigar o assunto, mas os métodos de Thaksin lembram alguém...
Considerando o interesse que Soros demonstra há muito pela Tailândia(lembre da queda do Baht em 1997), acho que não será difícil achar alguma conexão.
Sei que a The Economist e o FT atacam constantemente o governo siamês, e isso é um sinal bem claro do que desejam os magnatas internacionalistas.
Conhecendo as teias do submundo das finanças e das revoluções, deve haver muita podridão por descobrir.
Que não falte a coragem aos tailandeses, ou perderão a sua terra.

Nuno Castelo-Branco disse...

Estou de acordo com o Carlos Velasco, até porque o interesse do sr. Soros estende-se hoje à própria Austrália. Um dia destes ainda o veremos a subsidiar os minoritários "republicanos" do sr. Murdoch, um outro patife da pior espécie, com conhecidos "amigos e correspondentes" em Portugal.

atrida disse...

O golpe de De Gaulle foi uma vergonha: criou a nefasta figura do "presidente-monarca", entregou a Argélia de mãos beijadas aos bandidos da FLN, ignorou o massacre dos harkis, aliou-se ao PCF e preparou a França para o Maio de 68.
Uma herança catastrófica que destruiu de vez um grande país.