22 setembro 2009

Declaração de voto

EU NÃO VOTO
Como servidor do Estado, só conheço um patrão; como português, só tenho um partido; como homem livre [sem seita, lóbi, templo ou partido] mantenho-me longe de todos os fogos emocionais, passageiros e condenados ao desencanto. Tenho as minhas predilecções, mas o regime - todo o regime, incluindo aqueles que o dizem contestar, da esquerda à direita - precisa de uma valente reprimenda. Se me fosse possível auscultar o coração e a inteligência dos portugueses - e gente tão boa, sã e capaz ainda temos - penso que não erraria ao afirmar que este é o sentimento geral daqueles que não fazem, não vivem da política e percepcionam-na com crescente enfado, senão desprezo. Assim, não. As coisas têm de mudar. É tempo da inteligência impugnar a boçalidade, do conhecimento vencer o amadorismo, do fulanismo e capelismo mão-estendida se vergarem perante o espírito de serviço. Tudo o resto são cartazes, volantes, estribilhos e diabo a quatro. Nunca em tempo algum, gente tão pequena, tola e irrelevante teve, como hoje, o monopólio da vida pública. O Portugal Contemporêneo de hoje é bem pior que o de O. Martins, com a agravante de não existir um Rei, que era, digam o que disserem, o grão de mostarda que fazia a diferença.
Partidos já há muitos. Faltam é as ideias e faltam os homens que façam suas as bandeiras de empresários e trabalhadores e, juntos, sem cálculo e reserva, deixem seguir o coração e restituam aos portugueses o orgulho de o serem. Portugal não precisa de programas, mas de orgulho, amor-próprio, unidade de destino e recobro da memória que se perdeu na fornalha das trivialidades medíocres e das "novas ideias" que são sempre velhas desculpas para não perseverar.
Portugal precisa, desesperadamente, de monarquia.

7 comentários:

Daniel Azevedo disse...

Caro Combustões

"Portugal precisa, desesperadamente, de monarquia."

De um Luis XIV, concordo!
Se é para ter um ídolo vivo, que serve para ler discursos "aprovados", vou a um museu e vejo os de barro e mármore que lá há. Incluo os semi-presidentes dos sistemas semi-presidencialistas nesta categoria.

Confesso que ao ler os seu blog fico com a impressão que o amigo está à espera do seu "Rei filosofo".

Cumprimentos
Daniel Azevedo

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois é, ao que chegámos...

Gi disse...

Venha ela.

Deolinda disse...

Saliento: "...deixem seguir o coração e restituam aos portugueses o orgulho de o serem. Portugal não precisa de programas, mas de orgulho, amor-próprio, unidade de destino..."

Eurico Moura disse...

Resta saber é qual será o rei
http://bokarras.blogspot.com/2006/09/quem-s-tu-sois-rei-sois-rei-sois-rei.html

O problema não está no rei. O problema somos nós, com destaque para os mais cultos e influentes, que deixamos cair a rés pública na mão desta fauna de parasitas...

cristina ribeiro disse...

Ao nível a que nos habituou, Miguel.

Pedro Leite Ribeiro disse...

Mas não votar, mesmo que em branco, acarreta outro tipo de consequências que não a monarquia. Nas presidenciais, sim, claro!