19 agosto 2009

O Colosso de Banguecoque

O gigante encoberto. No hall do Bangkok Cultural Centre, o misterioso colosso aguarda a chegada da Rainha Sirikit, que hoje inaugura uma grande exposição sobre artes de espectáculo tradicionais.

Há um frémito no ar quando o corpo de dança de Silpakorn exibe com irrepreensível cronometria um número em homenagem à Rainha. Parecem as apsaras saídas dos baixos relevos de Angkor: todas da mesma altura, de grande beleza e de uma harmonia que tem algo de sobrenatural.

A multidão canta algumas passagens da história que as bailarinas executam. Estas raparigas passsaram anos de inaudito esforço para atingir pleno domínio da expressão dramática, a qual exige rigoroso código de gestos, expressões faciais, meneios de cabeça e uma sequência de noventa movimentos de pés e mãos, cada um com um significado preciso.


As sirenes anunciam a aproximação da caravana real. O trânsito é fechado. Um silêncio profundo apossa-se da mais movimentada zona da capital. As bailarinhas ajoelham-se e fazem o whay que os siameses tributam à família real.

Não se ouve um murmúrio, só o agitar de bandeiras em papel. Os olhos repousam no imenso Rolls Royce dourado que se aproxima. Parece uma peça de teatro.
A magia da cerimónia não inspira subjugação, contagia naturalmente e infunde respeito. Os estrangeiros participam espontaneamente, abrem a boca de espanto, arregalam os olhos e agitam as bandeiras. É uma liturgia colectiva.

Ao meu lado, um casal de vendedores de rua diz-me que aqui está desde as três da tarde para ver a Rainha. É a força da consabida aliança entre o Povo e o Rei, sem distinção de riqueza e pedatura, um elo que se tem mostrado indestrutível e me enche de certezas a respeito do futuro.

Depois, uma vibração que se prolonga por minutos, vozes que se erguem num coro de "Som Phra Charoen" - Viva o Rei/Rainha - até que a viatura se detém e dela sai Sirikit. O hino real em versão tradicional irrompe da tenda do corpo de música. A Rainha acena à multidão e troca algumas impressões com o Primeiro-Ministro. Dá-se início à inauguração da exposição, que amanhã percorreremos. O mistério do Colosso de Banguecoque fica, assim, para depois.

A noite começa a cair mas a multidão não arreda. Tenho um compromisso inadiável. Distante da multidão, o chauffeur da Rainha, um coronel do exército, não se sente incomodado quando lhe peço que o deixe fotografar.


ใกล้รุ่ง

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