12 agosto 2009

Hoje é Dia da Mãe: homenagem a uma resistente / วันนี้เป็นวันของแม่พระราชินีในประเทศไทย



Há muitos patetas que continuam a insistir no argumento da inutilidade das monarquias. Trata-se, amiúde, de gente que carrega a ignorância na mesma proporção do despeito, mobilizando em doses equilibradas lugares-comuns da petite histoire, da coscuvilhice pequeno-burguesa ou do deslumbramento jet set, aos quais se junta uma boa safra de mitos igualitários. Ora, se as monarquias fossem isso, não haveria quem tanto as detestasse ao ponto de as querer destruir. O mais puro republicanismo vive prenhe de regicídio e, quase sempre, foi ou é escola de tiranos endinheirados e camarilhas que encontram no Trono obstáculo derradeiro à consumação do domínio do Estado e da sociedade ; logo, aqueles que se julgam fadados para o exercício do mando. Se as monarquias fossem o que delas dizem os seus inimigos - os patetas e as camarilhas - não teriam o apoio e simpatia que gozam entre o povo chão. Vamos hoje falar de uma mulher que contraria os lugares-comuns. Falamos, certamente, da rainha Sirikit da Tailândia, em cujas mãos repousa grande parte da história recente deste país.



Sirikit não foi apenas nos seus tempos de juventude uma das mais belas mulheres do mundo. Não há coisa que mais dane o sempiterno preconceito machista que uma mulher inteligente e temerária. Tratando-se de uma rainha, os inimigos da monarquia, que nunca atacam os reis mas comprazem-se em intrigar e sussurrar contra a mulher do Rei (vide D. Amélia, vide Maria Antonieta, vide Imperatriz Alexandra da Rússia) desenvolvem persistente actividade difamatória. Esta mulher mudou a história da Tailândia e continua a ser, sessenta anos após contrair matrimónio com o nono Rei da Dinastia Chakri, um dos mais sólidos pilares da ordem estabelecida.

Até ler o polémico The Revolutionary King: the true-life sequel to the King and I, de William Stevenson, sempre pensara que Sirikit não mais seria que uma bela e sofisticada aristocrata siamesa bafejada pela sorte e transformada em rainha pelas escolhas do coração do Rei. Mas não, Sirikit foi decisiva para o Rei. Quando o conheceu, este vivia em semi-exílio na Suiça, um Rei sem poder, longe da sua terra flagelada por uma das mais sinistras ditaduras "pró-ocidentais" do início da Guerra Fria. A Tailândia, então protegida pela Sala Oval como a peça do dominó que jamais poderia cair em mãos comunistas, estava entregue a Phibun Songkram, homem que fora de mão dos japoneses durante a Segunda Guerra e depois saíra da prisão pela benevolente mão da CIA para encabeçar um governo "anti-comunista". A criatura não conhecia limites: fez-se chamar O Maior dos Tailandeses, o Primeiro Guerreiro da Nação, o Cidadão Número Um. Em suma, coisas da escola francesa, pois Phibun fora educado em França e deixara-se embriagar pela beberagem que tão bons resultados teve sobre Ho Chi Mihn e Pol Pot. É quase certo que a camarilha de Phibun esteve implicada na morte do irmão mais velho do Rei, Rama VIII, que aqui chegou carregado de esperanças reformistas e foi encontrado morto na cama, com um tiro na nuca em circunstâncias absolutamente misteriosas. Phibun inculpou os "comunistas", num tempo em que qualquer esboço de contestação era publicitado como uma conspiração comunista. Em suma, as oligarquias plutocráticas e rapinadoras, as melhores fazedoras de comunistas.

Ao morrer o seu irmão, o príncipe Bumiphol sucedeu-lhe, foi coroado e despachado para a Suiça pelo ditador. Aí conheceu Sirikt num momento trágico da sua vida. O Rei tinha cegado, vivia precariamente e em permanente sobressalto, pois era voz corrente que o ditador dissera aos seus íntimos que "os reis também podem morrer". A Tailândia vivia imersa na repressão: milhares de mortos e desaparecidos, prisões regurgitantes, execuções públicas, corrupção irrefreável, tribunais dominados pela polícia. O comandante da polícia, Phao Sriyanond, era, nem mais, o maior traficante de ópio do país e dono da maioria dos bordéis da capital. Foi Sirikit que, sentada durante meses à beira do Rei, lhe leu sucessivas Histórias da Tailândia, as Crónicas Reais, lhe falou nos heróis e heroínas do passado, na teoria do Rei Justo, o introduziu na história literária do país. Ao debelar a cegueira, o Rei renasceu, voltou e, juntamente com Sirikit, travaram combate de uma década contra o ditador. Foi o início da nova era. O Rei nunca teve o poder das armas ou do dinheiro, mas fez suas as causas do povo, lutou pelo cooperativismo, pela economia auto-sustentada, semeou o país de instituições caritativas, exigiu mais escolas, mais hospitais e postos clínicos, erradicou o analfabetismo e demonstrou que havia alternativa ao comunismo. Foi essa tremenda força e paixão que desde então junta o Rei e o seu povo que permitiram vencer a guerrilha do Partido Comunista da Tailândia. Foi essa convicção na liberdde que permitiu ao Rei intervir sempre que os militares - estabelecidos no poder desde 1932- exorbitassem.

Em finais da década de 90, um novo Phibun, um ex-polícia como o fora Phao, quis usurpar o poder. Tal como Phibun, invocou a "legitimidade dos votos", mas essa legitimidade era comprada nas aldeias submetidas ao poder de bronze da cacicagem. Falamos, claro, de Thaksin, um candidato a ditador num tempo em que as ditaduras não se apresentam nuas, mas revestidas pelas farpelas da "democracia". Tal como acontecera no passado, durante a Guerra Fria, muitos jornais ocidentais incensaram o novo homem forte, atacaram o Rei e fizeram espalhar pelo mundo as mais soezes mentiras. Mas no fim, o Rei triunfou. Hoje, procurado pela polícia como uma vulgar criminoso, Thaksin é acusado dos maiores excessos de corrupção, apropriação de bens, favorecimento familiar e actividades contrárias à segurança nacional. Não sendo politicos, os Reis mantiveram-se longe, mas o povo compreendeu que aquilo que se opunha ao interesse nacional não era a democracia, mas essa forma de partidocracia populista que tudo quer terraplanar para no fim se impor, como acontecera em 1932.
Sirikit é uma resistente. Hoje é o seu aniversário natalício. Por toda a capital, retratos seus apresentam-na como a rainha. Creio que, mais que uma rainha que se celebra, é a condição da mulher tailandesa que se exalta. Esta tarde, ao sair de casa, vou depor uma flor aos pés do seu retrato. Sabedoria é saber viver com um sorriso. Esta mulher de excepção viveu décadas de sobressaltos, conheceu dramas e perigos que felizmente poupam a generalidade das pessoas. Não obstante, manteve a fortaleza com um sorriso. É a pedra mais sólida sobre a qual repousa o trono.


เพลงเทิดพระเกียรติ พระบาทสมเด็จพระเจ้าอยู่หัว

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