06 julho 2009

Conversa de hospital


Um súbito febrão levou-me às urgências do hospital. Temi o tal vírus, mas não passou de falso rebate. Na sala de espera, conversa mole com um americano rotundo e suado praguejando "fuck the thais fucking fuckers" e outras pérolas daquela esmerada educação com que os comedores de pipocas, mcdonalds e french fries semeiam o discurso, invariavelmente sobre dinheiro e sobre as maravilhas dos states. Pensei tratar-se de um taberneiro ou de um taxista reformado. Mas não; à saída, entregou-me um cartão que o indentificava como "general manager" de uma companhia de advogados. Se assim são os advogandos, posso imagirnar o nível [ou falta dele] dos taberneiros e dos taxistas. A criatura levantou-se, foi atendido e logo voltou com a boca cheia de comentários soezes a respeito da médica que o assistira.

Levara para o hospital uma maravilhosa obra de Shway Yoe - ou antes, Sir James George Scott (1851-1935) - intitulada The Burman: his life and notions. Ao abri-la, tentando esquecer o mostrengo acabado de sair, li: "the best thing a Burman can wish for a good Englishman, is that in some future existence, as a reward of good works, he may be born a Buddhist and if possible a Burman". Ora, nem mais. Como sempre digo, qualquer pobre camponês do Laos ou do Camboja é, sem exagero, mais civilizado que o maior banqueiro de NY.

7 comentários:

João disse...

As melhoras, Miguel!
Abr.

Alice disse...

Viu muito filme americano, coitado!

Nuno Castelo-Branco disse...

Nm sempre: e o Thaksin?

PubEd disse...

As melhoras rapidas.
As perolas americanas andam por todo o lado... mas como em tudo, tb ha excepcoes...raras digamos...

Stalker disse...

O que é dito na poesia Khmer, se é que se pode saber? E, já agora, qual a relação com a música?

p. disse...

Boas.
Nao estarás a generalizar demais?

Combustões disse...

Bem, as generalizações são por vezes um recurso estilístico para apressar o raciocínio, conquanto não sejam induzidas por má-fé.