03 julho 2009

Bizarrias tailandesas: A&B ou a arte de sobreviver em época de crise

Três ou quatro vezes por semana frequento uma biblioteca para os lados de Sukhumwit, uma das maiores avenidas de Banguecoque (e do mundo) que se estende por mais de 400km, do coração da capital tailandesa a Trat, perto da fronteira cambojana. Antes das nove da manhã, vou ao café das irmãs A&B. Há cerca de seis meses disseram-me que o negócio ia de mal a pior, sem clientes, muitos credores, rendas em atraso, bancos batendo à porta com ameaças de despejo. Há menos turistas; logo, as receitas foram minguando com o arrastar da crise que o senhor Madoff teve a gentileza de espalhar pelo mundo.


Mas o cafézinho tinha que sobreviver e vai daí recorreram a uma terapia de choque. A&B mudaram da noite para o dia, cobriram as cabeças com perucas flamejantes, vestiram a condizer e o negócio começou de novo a prosperar. Hoje de manhã lá estavam infatigáveis a correr de mesa em mesa a atender uma clientela inteiramente masculina (pudera) que parecia lá estar mais pelo simpático serviço que pelo café matinal. Os tailandeses são assim: despem-se de medos e medinhos e lutam pelo dia-a-dia com criatividade, mas sem nunca se precipitarem no ridículo ou no reles. É um povo que merece ser copiado.

2 comentários:

Alice disse...

Um cheirinho a Ocidente a dar os seu efeitos aí assim como resultaria um cheirinho de Oriente aqui

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois-pois, percebe-se até muito bem..., ehehehehe Essas seriam um sucesso até na Tierra del Fuego!