05 junho 2009

O mia bella Napoli


Fascinante panorâmica sobre a história cultural da mais latina das cidades italianas, a irmã gémea de Lisboa aos pés do Vesúvio. É evidente que Milão é "alemã" e que a Roma ladrona foi a desgraça do mito da unidade italiana. Nápoles, sim, a do Reino das Duas Sicílias, ciosa da sua autonomia, que se bateu em desespero perante o imperialismo de Mazzini e Garibaldi, é a grande e orgulhosa lembrança dos tempos em que a Europa era diversa e livre. Livro a não perder. Um verdadeiro atentado à teoria da decadência meridional que teima em manter-se ao arrepio da verdade histórica.


Rudi Schuricke: O mia bella Napoli (1938)

4 comentários:

Francisco disse...

Boa tarde,

Pode concretizar o que quer dizer com "teoria da decadencia meridional" e "verdade historica"?

Obrigado!

Combustões disse...

Teoria da decadência meridional ? Então, tudo o que a historiografia anglo-saxónica anda a fazer desde o século XIX: "provar" que o sul católico, "rural" e "holístico" foi ultrapassado pelo norte "protestante", "urbano" e "individualista".
A verdade histórica é a que nos proporcionam os documentos de arquivo, infelizmente tão pouco convocados pelos historiadores ao "serviço de causas".

João Pedro disse...

Nunca estive em Nápoles, infelizmente, e as novas que nos chegam actualmente da Campânia não são as mais animadoras (como de toda a Itália, de resto), mas achei curiosa a nota da "irmã gêmea de Lisboa": é que, apesar de ser mediterrânica, já ouvi tecerem comparações de grande parecença, no espírito e visualmente, com o Porto.

DMSR disse...

Tal comparação só poderá ser perjorativa para a cidade das sete colinas. Habitei durante mais de um ano no centro histórico de Nápoles, e nem o espírito da cidade(que é muito forte) nem as gentes, se assemelham a Lisboa e aos alfacinhas. Nápoles é uma cidade de fortes sensações, irracional, agarrada ao passado e em decadência. Uma pura cidade latina e mediterrânica, com fortes influências gregas e bizantinas. A cidade onde desapareceram os aneis mas se guarda um minúsculo "balcone" de um velho palácio para viver. Lisboa é uma cidade atlântica, de fados aventureiros, de costas para a velha europa e de frente para o novo-Mundo. Quando a decadência meriterrânea se deu, foi para Lisboa e Sevilha que o centro do Mundo passou, só depois para Antuérpia, Amesterdão, Londres e Nova Iorque. Lisboa é uma cidade com passado e futuro, Nápoles é uma cidade com passado e sem futuro.