01 junho 2009

Luís Cabral voltou a ser português


Cantam os jornais de hoje os costumeiros ditirambos lavrados para a necrologia de marcar-o-ponto a respeito de um tal Cabral, de seu nome Luís, que por Portugal viveu mais de um quarto de século sem que alguém se atrevesse levá-lo à barra dos tribunais. O homem foi um inimigo de Portugal - o que é isso, caramba, coisa de somenos, quando os mais implacáveis adversários da ideia portuguesa se consideram, eles também, portugueses ? - e mandou matar, por atacado, sem dó e sem reserva mental milhares de portugueses negros cujo único crime fora o de servirem o Exército Português Africano. O culto do banditismo político tem sido prática num país que se delícia em escrever a sua anti-história e juntar nomes de vítimas e assassinos, absolvendo as criaturas mais cavilosas a coberto de uma suposta inelutabilidade dos actos individuais, tomados como azares determinados pelas tais "leis históricas" e cobrir de ridículo aqueles que souberam manter a fidelidade a Portugal. Cabral experimentou, como tantos da sua geração - v. Pinto de Andrade - o maior e mais contraditório percurso político: quis ver a África independente, mas transformou-a em campo do experimentalismo do totalitarismo soviético nos trópicos; lutou contra os portugueses para, depois, pedir-lhes misericordioso acolhimento; abriu as portas da selvajaria e foi vítima dela. Luis de Almeida Cabral era a personificação desse desastre que foi a descolonização e o abandono da África.

Vi-o uma vez pelas ruas de Lisboa brincando aos senhores delicados. Quem diria que aquele contabilista Luís de Almeida Cabral, burguês e filho de literato, bolseiro da Casa dos Estudantes do Império, irmão de Amílcar - engenheiro do quadro do Ministério do Ultramar, Inspector-Geral do Comércio da colónia, investigador da Junta de Investigação do Ultramar e assistente universitário - fora durante meia dúzia de anos o mais implacável verdugo de tanto desgraçado atirado de mãos atadas para as valas comuns que deixou como espólio da sua presidência. Depois, quando a lei da cadeia alimentar o tocou de perto, fugiu para Cuba, onde não se conseguiu aclimatar, preferindo colocar-se sob protecção dos portugueses, que tanto detestara, deles recebendo casa e pensão vitalícia.

5 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Mais uma vergonha escabrosa.

Gi disse...

Mas não era Jesus que recomendava dar a outra face?

Lura do Grilo disse...

Sempre escapam estes magarefes

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois dizia, mas acerca da chacina de milhares de indefesos devia prever qualquer coisa em conformidade...

J.Peralta disse...

Mais uma vez os heróis são esquartejados e execrados, enquanto os crápulas são exaltados.
Parece que as autoridades do País
se comprazem em celebrar a anti-história de Portugal.
Será que é entre os pseudo-heróis
que eles se dão bem? Mas então não
representam o povo português; representam-se apenas a si mesmos.
Portugal sabe disto? Portugal merece mais respeito.
Saudações
JPeralta