29 maio 2009

A tortura

Sei que os terroristas não se apiedam nem se questionam sobre o sofrimento e humilhação das suas vítimas, trinchadas como rezes de matadouro em frente de câmaras, esventradas por bombas ou corroídas até aos ossos pelo cobarde ácido que atiram ao rosto de raparigas cujo único crime é o de frequentarem uma escola. Sei que experimentam um júbilo quase lúbrico ao colocarem o baraço de fio de aço em torno dos pescoços de gente transida de medo, que cantam hossanas ao todo-poderoso enquanto lapidam, queimam com maçaricos, introduzem ferros de construção pelos orgãos sexuais, dissecam pessoas vivas com tesouras de podar, confeccionam beberagens de vidro moído, cegam com alfinetes, cortam pálpebras e sufocam com sacos plásticos.

Os celerados que encheram Guantánamo constituem o rosto desse inimigo inacessível à piedade. É a escória da escória da humanidade e não há desculpa que os possa absolver. A guerra que o Ocidente lhes move é duplamente justa, onde quer que se encontrem, o que quer que invoquem e quaisquer que sejam os compagnos de route que recrutam entre a estupidez inteligente de uma Europa que seria varrida do mapa da civilização caso esses loucos de Deus pudessem lançar mão das nossas cidades, museus, bibliotecas, laboratórios e universidades. É justa porque se faz em nome de valores que todos os homens de bem subscrevem sem vacilações e é justa porque impede o pior. A maioria das vítimas dos loucos de Deus são muçulmanos e não ocidentais. O Ocidente para o Médio Oriente e Ásia Central enviou as forças expedicionárias para ali travarem essa luta de vida e morte contra uma ideologia que é absoluta e visceralmente uma força maligna. O islamismo militante não é um movimento localizado geograficamente nem se limita à invocação da auto-defesa contra um pretenso ataque ao Islão. É coisa absolutamente nova, globalizada, tecnologicamente avançada e assistida pelos meios de acção, difusão e propaganda que lhe permitem aterrorizar continentes por atacado.

Sei que as denúncias agora produzidas por um general norte-americano devem ser escutadas, que os militares ocidentais envolvidos em práticas abomináveis devem ser julgados e punidos severamente, que não há espaço em regimento de disciplina algum que tolere justiça pelas próprias mãos. Contudo, interrogatórios severos, se praticados sem crueldade gratuita, sempre foram recurso para extracção de vitais informações militares. As forças de segurança do Estado praticam-na desde sempre e sabe-se que, sem ela, a investigação criminal não chegaria parte alguma. Sim, um investigador credenciado pode esbofetear e esmurrar, privar de comida, ameaçar e infundir medo àqueles de quem pretende a informação certa que salve vidas inocentes. O que não se pode permitir é conceder funções dessas a amadores, a ralé vindicativa e demais gentuça que se abriga sob um uniforme para dar vazão a pulsões homicidas.

Lembro que em África a PIDE-DGS era muito popular, ao contrário do que acontecia no Portugal metropolitano: era popular porque facultava às forças de segurança informações sobre preparativos inimigos, porque desmembrava células, permitia a localização de depósitos de armamento, indicava os locais minados pelo inimigo, avisava as populações sobre a infiltração de grupos armados. Ora, quem diz PIDE-DGS em África diria MI-5, FBI, Mossad, Sûreté Nationale, Corpo de Polícia Nacional ou Polícia Judiciária. Há que saber distinguir e não aceitar a possibilidade de vivermos sem esses preciosos auxiliares da justiça. Sei que não teria estômago para funções dessas, mas não é por isso que não lhes deixo de render agradecimento como cidadão livre.


The World at War

3 comentários:

Pedro disse...

Muito bem! 100% de acordo. Há que ser realista e ver que temos de fazer o necessario para evitar males maiores. Só quem não conhece esses países (ou os seus emigrados em países como Alemanha, Dinamarca, França ou Holanda) é que pode defender essa corja de extremistas. Pergunta-se, por onde anda o Islão moderado? Alguém os ouve a criticar seja o que fôr? Pois....

cristina ribeiro disse...

Totalmente off-topic: veio-me à ideia o Miguel, quando, via « Eternas Saudades do Futuro » li, no« A Conspiração das teorias », a reflexão de Agostinho da Silva " os portugueses emigrados são os que ficaram ».

Nuno Castelo-Branco disse...

Sem comentários. Por isso mesmo, limito-me a fazer o necessário "link"