16 maio 2009

Por falar no Che, uma história da esquerda caviar


O Chardonnay socialista, os socialistas de salão, o Champagne socialist, o Radical-Chic ou socialiste vin rouge sempre existiu. Trata-se de fulanagem burguesa, cheia de aspirações de status e com o monopólio das causas do coração, chorando as desditas da exclusão ao volante de um Jaguar. Rica o ociosa, criou quadrícula de coutada exclusiva no aparelho do Estado, vive embrenhada no capitalismo de subsidiação, pede tenças, abarbata todos os prémios e atreve-se continuar a fazer alarde das grandes e nobres causas que são antítese de tudo o que faz. Com edição em 2006, este livrinho de Laurent Joffrin não é mera colecção de anedotas; trata-se de desassombrado como sério texto que põe a nu a hipocrisia de uma geração que fez as barricadas do Maio de 68 e depois se transformou naquilo que mantém a Europa no trágico impasse que levará ao colapso. Não custa perorar sobre os padecimentos dos trabalhadores em torno de uma mesa carregada de vitualhas; pedir a igualdade de oportunidades quando se tem à mão uma criada de crista, invocar as revoluções sociais quando estas foram transformadas em cartazes publicitários, pedir justiça quando as palavras se passeiam entre o halo de uma boa charutada. É a esquerda caviar, a esquerda das "boas famílias" e dos sorridentes gorduchos que se apossou de tudo e quer mais. Hoje passei uma hora a folheá-lo num alfarrabista. Talvez lá volte para o comprar. Um brinco !

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Portugal está cheio de gente dessa, do BE ao PPD. Chunguisses...

JNAS disse...

Esta continua a ser uma das mais lúcidas penas da Língua de Camões. Quem me dera ter talento, engenho, arte e musa inspiradora para assim escrever !
JNAS