29 maio 2009

O discreto charme da realeza: o rei que conquistou o coração dos comunistas

O Rei recebe uma delegação do Partido do Povo, ex-comunista.

O beijo na pomba da paz

Cerimónia do lavrar dos campos

O Camboja está-se a libertar do peso da sofrida memória do genocídio e a restaurar essa outra memória que é a tradição da sua grandeza e do orgulho nacional que cava raízes profundas desde os tempos de Angkor. Este ano restaurou-se a velha cerimónia do cultivo dos campos, exaltação da vida e do trabalho dos homens. Diz-se à boca cheia em Phenom Pehn que o rei, que muitos consideravam um arranjo decorativo, se transformou ao longo destes cinco curtos anos de reinado na grande referência de moderação, incorruptibilidade e consagração às causas que envolvem a reconciliação nacional. É como dizia há tempos uma cambojana que conheci nos bancos da escola de língua tailandesa: "eu sempre fui comunista, mas este Rei fez-me esquecer essas brincadeiras da juventude que trouxeram tanto mal ao Camboja". E acrescentou: lá só não gostam do Rei os homens da mafia do dinheiro". Só me apeteceu perguntar-lhe se conhecia o Combustões !

Lendo a letra do novo hino nacional, está lá todo o programa da monarquia, que não é coisa de alguns, mas de todos, de ontem como de hoje. Sei que muitos se riem do sentimentalismo que envolve as monarquias, certamente os mesmos que se deixam acometer de náuseas e contracções estomacais sempre que perdem a última rodada nas aventuras bolsistas. São, de facto, dois mundos distintos, servidos por homens de diferente quilate. Que assim seja, sempre.

Que le ciel protège notre Roi
Et lui dispense le bonheur et la gloire.
Qu'il règne sur nos cœurs et la sur nos destinées,
Celui qui, héritier des Souverains bâtisseurs,
Gouverne le fier et vieux Royaume.
Les temples dorment dans la forêt,
Rappelant la grandeur du Moha Nokor.
Comme le roc, la race khmère est éternelle.
Ayons confiance dans le sort du Campuchéa,
L'Empire qui défie les années.
Les chants montent dans les pagodes
A la gloire de la Sainte foi Bouddhique.
Soyons fidèles aux croyances de nos pères.
Ainsi le ciel prodiguera-t-il tous ses bienfaits
Au vieux pays khmer, le Moha Nokor.


1 comentário:

Gi disse...

Lindo, este hino.