02 maio 2009

Matar reis

A prática de regicídio parece ser uma constante no comportamento daqueles que pretendem derrubar as monarquias. Que eu saiba, república alguma jamais foi implantada por votação impoluta. Llembro o caso italiano, em 1946, em que a contagem foi interrompida quando as regiões mais fiéis à Casa de Sabóia começaram a inclinar o prato da balança para a manutenção da chefia de Estado dinástica, ou lembro, ainda, o caso grego, em que os ditadores militares fizeram um plebiscito absolutamente viciado. Recentemente, a abolição (até ver) da monarquia nepalesa saíu de um arranjo visando oferecer aos maoístas a participação no governo daquele país dos Himalaias. Ao povo nepalês foi negado o direito de decidir. Matar reis, exterminar por atacado famílias reais, parece ser a especialidade dos inimigos das monarquias.

Ontem, um celerado quis matar a família real holandesa. Parece não haver novidade, porquanto o século XX oferece interminável sucessão de crimes de sangue contra famílias reais: Humberto I de Itália, D. Carlos I de Portugal, Jorge I da Grécia, Francisco Fernando da Áustria, Nicolau II da Rússia, Alexandre I da Jugoslávia, Faisal II do Iraque, Sisavang Vatthana do Laos, Lord Louis Mountbatten of Burma. Os inimigos da monarquia sabem-na popular e entranhada na consciência e afectos do povo, pelo que a "propaganda pelo facto" - expressão cunhada pelos anarquistas do século XIX - constitui o único meio para virar a página e impor o facto consumado irreversível.

Há semanas, no último dia das barricadas vermelhas em Banguecoque, fui ao acampamento dos republicanos tailandeses e travei interessante diálogo com um seguidor de Thaksin, professor do ensino secundário e ardente defensor da república. Falou-me despreocupadamente sobre as suas convicções e, ao terminar a sua exposição, deixou cair um sintomático "até seria melhor se a família real desaparecesse". Sabemos o que isso quer dizer. Desaparecer quer dizer "assassiná-los a todos, sem excepção". Estes republicanos são uns bons safados !


Requiem de Mozart

3 comentários:

Pedro Leite Ribeiro disse...

O sujeitinho lá da Holanda matou-se e levou alguns inocentes com ele. Diverte-me assistir à hipocrisia de tantos republicanos convictos quando se referem aos mujahidin com aparente repugnância.

Nuno Castelo-Branco disse...

E Lisboa está cheia de gente dessa que até participa no poder, enquanto nos enchem os ouvidos com liberdade, direitos humanos, etc. Tudo questões de dinheiro em negócios que encontram barreiras nessas monarquias.

Wegie disse...

Oh Pá, no Nepal não foi o príncipe que matou a gangada toda?