12 maio 2009

Há dias vazios


Tento, em vão, alinhavar palavras e cumprir a obrigação. Mas não, hoje nada há a dizer. Vasculho os jornais em linha portugueses disponíveis. Desgraçadamente, só dou com noticiário de "encarte", com a crónica de esquadra de polícia, com candidatos a eurodeputados em luta por um salário à Santa Casa, umas linhas quase infantis de Mário Soares no DN, bem como farto palavrório sobre a missão de Bento XVI à Terra Santa. Não há nada. Aliás, não há nada a registar há muitos, muitos anos no rectângulo português europeu. Quando um dia, talvez daqui a vinte anos, perguntar ao João ou ao Nuno, que nasceram em finais da década de 90, o que de extraordinário lhes foi dado assistir em Portugal, dir-me-ão: nada. Há gerações sem história, como há países que se arriscam a perdê-la. Assim, entediado, procuro estímulo e aventura interior na leitura do admirável River of the Lost Footsteps, de Thant Mynt-U.

4 comentários:

viloria disse...

Perdoe-me o desabafo, mas o engenho da escrita do Miguel recorda-me e reforça o tédio e enfado com que vegeto neste rectângulo. Tenho 25 anos e estou farto desta merda. Não voto, não participo, não me comovo, não me solidarizo. Também eu procuro a minha Tailândia. Talvez a saudade me dê outra perspectiva.

passi disse...

Caro Miguel,

É sempre um prazer ler o que você escreve.
boas viagens!!

melhores cumprimentos

ezequiel

Maria disse...

Tem muita razão no qe afirma. O que aqui se passa, polìticamente falando, não tem pitada d'interesse. Portugal não tem futuro enquanto a camarilha que aqui assentou praça estiver à frente dos destinos da Nação. Aproveitando o título do livro que cita, que me levou para outras paragens, aproveitaria o título de um filme antigo, por sinal bom, para fazer uma analogia entre o sinuoso percurso do nosso país desde 74 e o trágico fim que o espera: River Without Return.
É isto que acontecerá a Portugal se não lhe deitarmos a mão. Ainda estamos a tempo.
Maria

nunokyoto disse...

Não sei porquê, mas dei por mim várias vezes a associar o modelo dos noticiários televisivos com o junk-mail. Abro-o de vez em quando para ver se alguma notícia importante ou interessante lá foi parar. No noticiário... só falta o "get you own free viagra". Sempre dava um certo colorido.