25 maio 2009

Confissão íntima no 572º dia no Oriente


Um bom amigo tailandês que ronda os 50 anos - médico de sucesso e rico por herança familiar, pois é filho, neto e bisneto de Luangs, o nosso equivalente a Visconde, o que nesta terra tem significado - dizia-me hoje pelo telefone que se preparava para a reforma. Trabalha desde os vinte e poucos anos e conseguiu acumular o suficiente para se retirar e dedicar-se ao seu hobby. É um grande apaixonado dessas verdadeiras jóias dos oceanos que são os búzios e os corais. Em casa, possuiu uma rara colecção que conta com milhares de peças de reluzentes maravilhas do Índico e do Pacífico. Arrumadas, catalogadas e etiquetadas como num museu de Ciências Naturais, estão avaliadas em milhões pelos especialistas. Aos 50 anos, à beira da reforma. Eu tenho quarenta e muitos e não deixei nada que preste. Dois ou três livrinhos que a memória das bibliotecas condenará ao mutismo eterno, mil e uma tentativas de fazer algo e pouco mais. Parece que tomei a decisão certa de sair na idade errada, ou seja, vinte e tal anos após bater teimosamente com a cabeça na muralha do sepulcro de vivos em que se transfomou Portugal. Resta-me uma derradeira esperança: a de poder, em 2011, publicar uma história das relações entre Portugal e a Tailândia no ano em que se celebrarão os 500 anos da nossa chegada a estas paragens. Nesse dia, pensarei na reforma.


Tchaikovsky: Concerto para piano e orquestra

4 comentários:

JMG disse...

Bem, com quase 10000 anos de História para a Humanidade, mais de 2500 para a Literatura, quase 900 para o nosso País - é muito difícil deixar algo que preste, pelo menos no sentido que suponho queira dar à expressão. Mas considere que há por aí uns quantos, entre os quais me incluo, que o lêem com prazer e proveito - já não é nada pouco.

Nuno Castelo-Branco disse...

Num país normal, já terias sido primeiro ministro umas duas vezes. Mas ainda és novo, enfim...

João disse...

Apoiado ao livro, não apoiado à reforma, a menos que seja ócio criativo!
Abr.

M Isabel G disse...

Amigo Miguel
fico muito contente com o livro em 2011.:)
Muitas saudades
Um beijo