23 abril 2009

Zuma ou a África nunca mais ganha juízo


A África do Sul prepara-se para regar com gasolina o que restara da longa transição iniciada com Mandela e Frederik de Klerk . Aquele país, comparativamente tão rico como a Noruega o é na Europa, ameaça agora lançar-se no processo de africanização. O candidato Zuma, acusado por violação, fraude e corrupção, auto-proclama-se "socialista", é amigo e admirador ajuramentado de Mugabe e milita numa seita adventista messiânica. Em suma, tudo boas notícias para os portugueses residentes na África Austral. Os sempre ufanos analistas (de quê ?) nele detectam traços de "populismo" e declarados propósitos de terminar os vestígios do apartheid. Sabemos o que isso quer dizer, Se o tal imaginário apartheid sobrevive nas Forças Armadas, na polícia, no aparelho do Estado e na classe empresarial, destruí-los será sinónimo de pretorianização dos militares (leia-se tribalização), desagregação da autoridade nas ruas, nacionalização de empresas viáveis e, quem sabe, proibição do africaans. A coisa promete. Quando é que a África ganha juízo ?

7 comentários:

Joao Quaresma disse...

Quando, salvo erro, em 1998 a DeBeers mudou a sua sede para Londres, toda a gente ficou esclarecido.

No ano passado, 3/4 da população branca existente em 1994 tinha emigrado, sobretudo para a Austrália.

As Forças Armadas, ainda que bem equipadas, mal funcionam devido à política de negrização, ou seja, de promoção hierarquica de oficiais negros sem avaliação de desempenho e aptidões, apenas para substituir brancos (que se recusam a servir nestas condições acabam por emigrar). Na Marinha, não há tripulação suficiente para equipar um único dos 3 submarinos, porque a maior parte do pessoal formado está agora nas Marinhas Australiana, Inglesa e Canadiana. Na Força Aérea, só há dois esquadrões a funcionar (aviões Hércules e helicópteros Puma de busca e salvamento) por falta de pessoal. O resto da frota ou foi abatida ou está guardada nos hangares.

Johannesburgo está desde há anos vazia de população branca. A única zona onde ainda há segurança para brancos é o Cabo e mesmo aí a situação piora. No ano passado, o cônsul português, a mulher deste e um amigo meu escaparam por pouco, quando estavam parados num sinal vermelho e de repente rebentou uma autêntica batalha entre os carros parados ao lado e atrás, com tiroteio intenso de armas automáticas. Era uma guerra entre gangs.

Os tribunais prejudicam os brancos e perdoam os negros; há anos atrás, um comerciante português que disparou em legítima defesa e matou um assaltante, foi condenado por homicídio de primeiro grau apesar das várias testemunhas favoráveis. À porta do tribunal havia manifestantes a gritarem: «Brancos vão para a vossa terra!»

À excepção de 2004 e 2005, em que foi superada pelo Iraque, a África do Sul tem sido desde o fim do Apartheid o país com maior número de homicídios em todo o mundo, rondando os 20-25.000.

É isto a África do Sul dos dias de hoje.

Mas agora, como no poder já não estão brancos, esta realidade é escondida e não há manifestações, condenações ou boicotes. São os benditos "Ventos da História"...

cristina ribeiro disse...

O Continente mártir entre todos...

Nuno Castelo-Branco disse...

Seria uma excelente perspectiva humanitária, se a maior parte do continente fosse de imediato colocada sob o sistema de mandatos internacionais. Não me ocorre outra ideia.

João Pedro disse...

O Mundial de futebol de 2010 em terras austrais vai ser bonito, vai.

Luis disse...

Parece-me que a RAS esta a deslizar, embora muito devagar, para uma coisa semelhante ao Zimbabwe. Ja nao vou la ha uns tempos, mas da ultima vez, ha cerca de um ano, os sul-africanos brancos com quem falei nao me pareciam muito optimistas. Este Zuma parece-me ser do calibre do Mugabe, o que e realmente uma pena.

Lura do Grilo disse...

Avizinham-se tempos negros para a África do Sul. Os Povos andam malucos..

Jacinto disse...

O sinal definitivo dar-de-à aquando da morte do Mandela.